O que é ayurveda

O que é Ayurveda, saiba tudo sobre essa medicina ancestral

A mente, a alma e o corpo formam um tripé que sustenta o mundo. Tudo que existe é formado pela combinação desse substrato. Essa trindade forma o homem senciente da qual o conhecimento do Ayurveda deriva. 

Afinal, o que é ayurveda?

Ayurveda é a arte do viver bem e da cura gentil. Quando essa teoria se torna parte da nossa vida, parte de quem verdadeiramente somos, age como uma bússola que nos orienta em cada passo da nossa existência, ajudando-nos a conquistar uma vida longa com qualidade. O termo é formado por duas palavras em sânscrito – ayus que significa “vida” e veda ou vid, “conhecimento” ou “ciência”. É uma ciência amplamente utilizada no sistema de saúde público e privado da Índia onde surgiu a mais de mil anos, por volta de 5000 anos atrás. Embora, alguns historiadores apontam que o Rig Veda, cujos os primeiros registros foram iniciados há 6.000 anos e é parte de outras escrituras sagradas reveladas ao homem, e considerada a base da tradição e cultura Indiana, encontramos uma das primeiras compilações sobre ervas medicinais, patologias e referências sobre os três doshas. 

Mas é no Atharvaveda que o fundamento do Ayurveda é encontrado. Nessa época, o Ayurveda era uma prática mais sutil e espiritualizada, já que o objetivo era garantir a evolução do indivíduo desde do aspecto psicológico até a sua fusão com a consciência cósmica. Para isso, técnicas de cura pelo toque, por pedras preciosas, rituais, hidroterapia, mantras e meditação eram utilizadas. Outros princípios vindos do tantra e do xamanismo, com raízes na tradição pré-védica matriarcal, também foram incorporados. Por isso, o Ayurveda é considerado a mãe da medicina, com uma adaptabilidade que o ajudou a se fundir com as tradições médicas chinesas, tibetanas, gregas e árabes. 

A medicina não é considerada uma ciência exata. Charaka, o autor de famoso compêndio sobre medicina que data de 3.500 anos a.C – Charaka Samhita – e considerado um dos grandes “autores” do Ayurveda, já sabia disso. Ele encorajava seus discípulos a buscarem o conhecimento a partir de todas as fontes disponíveis, já que não há limites para a evolução da ciência. O conceito básico do Ayurveda é que tudo na natureza, inclusive nós mesmos, é feito dos mesmos elementos – os cinco grandes elementos ou panchamahabutas. A quantidade desses elementos, muito ou pouco, pode perturbar o equilíbrio do nosso organismo e conduzir a decadência do corpo, da mente e do espírito , o que levaria ao surgimento das doenças. Quando o desequilíbrio se manifesta, até ao ponto de gerar uma doença, é fundamental que um médico com experiência comprovada e formação acadêmica seja consultado. 

O profissional irá examinar o estado dos elementos para sugerir uma terapia ajustada a cada paciente e o respectivo desequilíbrio. Cada paciente, com a mesma doença, irá ser tratado de forma diferente. O Ayurveda lida com cada doença e com cada paciente individualmente, investigando o fruto do desequilíbrio no tripé – corpo, mente e alma. De acordo com o Ayurveda, as doenças frequentemente começam na mente e se manifestam em vários órgãos e sistemas do corpo.
A regra geral, é fortalecer os elementos fracos para restabelecer o equilíbrio. Parece simples, e de fato é, simples se mantemos o equilíbrio seguindo a rotina proposta pelo Ayurveda. Cada um de nós deve ser responsável por sua saúde, e para isso, é fundamental conhecermos a nossa constituição – doshas que é a combinação individual de três atributos que nos identificam.

O Ayurveda é um sistema que não foi codificado em uma linguagem secreta ou registrado de forma obscura ou oculta. Os sábios daquela época se reuniam para compartilhar suas experiências nos vários ramos da profilaxia e da cura e registravam minuciosamente suas conclusões. Alguns desses sábios, cuja o propósito na vida era manter o bem-estar de cada ser vivo do planeta, possuíam poderes extraordinários de contemplação, que lhes deu a capacidade de entender a realidade e o processo de como a vida está interligada em uma escala diminuta. Com o tempo, o resultado desses encontros, deu origem a seis sistemas filosóficos, conhecidos como darshana, os quais incluem as seguintes áreas de conhecimento: estudo da lógica (nyaya); física quântica (vaisheshika); a tese da evolução e o axioma causalidade (samkhya); a disciplina do corpo e do espírito (yoga); o comportamento moral (mimansa) e o conhecimento puro e exotérico (vedanta). O Ayurveda adotou todas estas bases para formação de sua hipótese fundamental. Embora, seja considerado parte do Atharvaveda, o Ayurveda desenvolveu uma filosofia consistente própria, integrando inúmeros volumes de tratados médicos passados de mestre para discípulo.
 
 

A Lenda

Existem duas linhas principias ou escolas que narram o surgimento provável do Ayurveda. A Atreya Sampradaya – escola dos médicos – e a segunda, Dhanvantari Sampradaya ou a escola dos cirurgiões. Vou aqui focar na primeira versão, Atreya foi um sábio védico, autor do quinto livro do Rigveda e o primeiro ser humano a receber o conhecimento da arte da medicina através do semideus Indra. Foi dado a Atreya a tarefa de combater um grande número de doenças e pragas que se alastravam entre os homens e os animais. Havia um tipo de ser que lembrava os humanos, mas possuía uma expectativa de vida muito acima e habilidades específicas devido a composições diversas de seu corpo – deva. A palavra parece derivar do termo “divino”. Atreya era capaz de viajar até as esferas habitadas pelos devas. 
Em uma dessas viagens, ele se encontrou com Indria que era o rei dos devas. No seu retorno Atreya fez um relato detalhado sobre a teoria da relatividade do tempo em outros planetas. Ele narra, por exemplo, que Muchukunda, o rei da Terra, havia passado um longo período em outros sistemas planetários envolvido em batalhas interestelares, e quando retornou à Terra não encontrou nenhum de seus familiares vivo, porque na sua ausência, milhares de anos haviam se passado. Depois que Indra se convenceu que Atreya tinha as habilidades intelectuais necessárias, ele finalmente transferiu o conhecimento do Ayurveda. Indra havia recebido esse conhecimento de dois médicos divinos – os irmãos Ashwini. Que por sua vez, receberam o conhecimento de Daksha, o rei dos Himalaias, que tinha como missão, povoar o universo com seres vivos, tarefa dada pelo seu pai Brahma, o primeiro ser vivo do Universo. 
Atreya, que era o mais sábio entre todos os sábios, registrou tudo o que havia aprendido e passou o conhecimento adiante a seus estudantes. Cada um acrescentou seus comentários ao registro original. Um desses escritos, do Agnivesh, foi o mais relevante e sobreviveu quase intacto, e que mais tarde seria a base para o Charak Samhita, enquanto os livros escritos por outros dois discípulos, Bhel e Haarit, existiram apenas em fragmentos. Esse textos organizam e descrevem pela primeira vez, as oito ramificações ou áreas do Ayurveda (ashtanga ayurveda). Além dessas oito vertentes, há ainda extensas informações sobre veterinária e um ramo específico sobre as plantas, conhecido como vriksha ayurveda.
 
Em um período mais avançado da cultura védica, o Ayurveda era principalmente reproduzido no Atharvaveda, o último dos quatro vedas. A terapia era dividida em dois aspectos: (1) tratamentos curativos e paliativos (shanta) e (2) rituais de cura (ghora). Os experts do Ayurveda não estavam completamente confortáveis com essa divisão, pois um certo estigma era associado aos rituais de cura, que abriam caminho, às vezes, para práticas bem menos convencionais. Neste momento, a medicina Ayurveda era utilizada com mais freqüência para a cura e a manutenção do bem-estar físico e em segundo plano, do espiritual. Os médicos da época sabiam que, assim com o Ayurveda formava a base para o cumprimento dos deveres (dharma), segurança material (artha), prazeres sensuais (kama) e emancipação espiritual (moksha), tanto o indivíduo que havia renunciado à vida mundana, assim como aquele que vivia no mundo material se beneficiariam do Ayurveda como terapia. 
 
Como praticar rituais, meditação ou atividades mundanas, como o trabalho, sem um corpo saudável? Há dois textos médicos muito importantes e referências até hoje na literatura do Ayurveda; as compilações (samhita) do Charak e do Sushutra. Ambos formam escritos no período posterior ao Atharvaveda, mas bem antes do advento do budismo. Durante o império da Ashoka, havia um sistema público de saúde, bem desenvolvido e propagado de uma forma sistemática. Foi a primeira vez na história da humanidade que ervas foram cultivadas e preservadas numa espécie de farmácia, para que a população pudesse fazer uso. Durante um longo período, o budismo ficou estagnado na Índia, uma vez que os praticantes haviam sido expulsos, retornando apenas durante o regime de Kaniska, que havia fundado uma nova escola, chamada de Mahayana. Esse doutrina era muito mais próxima ao Hinduísmo, que naquela época, florescia na Índia. 
 
Consequentemente, os textos do Ayurveda foram aceitos, com mais facilidade, em sua integridade. Os monges budistas eram muito ativos em propagar o Ayurveda para além das fronteiras da Índia. Foi nesse período, por volta do século 1º, que o Ayurveda chegou à China e no século 7º ao Tibet. Vários textos clássicos formam traduzidos para idiomas regionais e posteriormente encontrados na Mongólia, norte da Sibéria, Afeganistão, Sri Lanka, Indochina, Indonésia e Arábia. Por um logo período, do século 8º ao século 16º, o Ayurveda floresceu, com novas contribuições aos manuscritos de Sushutra e Charak, através de um monge budista chamado Vagbhata, que acrescentou aos textos suas descobertas clínicas e observações da época. Deste período em diante, quando a Índia foi dominada pelo regime colonial, o Ayurveda entrou em declínio. Contudo, foi mantido vivo, não por reforços do governo ou de instituições, mais sim, por inúmeras famílias de médicos que haviam recebido o conhecimento através de seus antepassados e através da relação mestre / discípulo. Elas mantiveram seus segredos, o que foi bom para a preservação da ciência, naquelas circunstâncias. No Kerala estado no sul da Índia, ainda hoje podemos encontrar famílias que descendem de uma linhagem de mais de 800 anos de tradição ayurveda, contudo, muitos não conseguiram transferir seus conhecimentos por falta de sucessores, e várias receitas, valiosos métodos de cura e terapias, foram perdidas para sempre.
 

Definição de saúde segundo o Ayurveda

Estamos saudáveis quando nosso ambiente interno e externo está em equilíbrio.

  1. Os doshas estão em equilibrio
  2. agni – fogo digestivo – está em equilibrio
  3. Dathus – 7 tecidos – estão em equilibrio
  4. Malas – Produtos residuais – são produzidos e eliminados
  5. Manas + Indrya + Atma  = Mente + Sentidos + Alma estão cooperando em harmonia e felicidade

 

 

Os livros atemporais

O Ayurveda pode olhar para trás e ter orgulho do tesouro que a sua literatura médica representa. É impressionante como os livros que datam de 3.500 anos aproximadamente, são usados, até hoje, com um registro oficial nas escolas de medicina. Isso também, claro, se deve ao fato que a anatomia e a fisiologia humana são as mesmas, há pelo menos, 5 mil anos. Podemos destacar uma trilogia que é a considerada o maior e mais relevante registro da medicina Ayurveda.

Charak Samhita

Esse é o manuscrito médico mais antigo que se tem notícia. Foi escrito em prosa e verso com 12 mil versos e parágrafos, dos quais restam apenas 8.419 e 1.111 parágrafos, o que indica que 2.470 versos foram perdidos ou omitidos pelos comentaristas. Embora os textos originais não existam mais, ainda hoje podemos ter acesso ao seu conteúdo, graças à meticulosa tradição dos comentaristas que elaboraram e contribuíram durante séculos, para que os registros não se perdessem por completo. Pelo menos 3 autores colaboraram de forma direta para esse livro. O primeiro foi Atreya, seguido de seu estudante Agnivesha. Mais tarde, Charak coletou diversas cópias incompletas desses manuscritos e os copilou em um único volume.

Sushutra Samhita

A tradição da cirugia e obstetrícia está nesse manuscrito que é considerado a maior referencia que existe no assunto, embora seus originas tenham desaparecido. Foi escrito há mais de 3 mil anos por Sushutra, um mestre e pioneiro nas técnicas e instrumentos cirúrgicos. Seu nome é mencionado no Mahabharata e no Garuda Purana. Seu trabalho está enraizado no legado deixado pelo seu mestre Dhanvantari, a encarnação de Vishnu, senhor da medicina e a divindade guardiã do Ayurveda. Cada capítulo do livro começa com uma saudação “assim como Sushutra foi ensinado pelo reverenciado Dhanvantari”. O Sushutra Samhita contém seis volumes com 186 capítulos e descrições detalhadas como os oito tipos de cirurgias criadas pelo autor. Sushutra já fazia cirurgias plásticas, transplantes de pele e amputações, que eram relativamente populares, praticadas nas escolas de medicina, da mesma forma que os estudantes fazem até hoje. O livro discute 1.120 doenças, ferimentos, doenças mentais e relacionadas ao envelhecimento. Incluía ainda a classificação de 700 plantas medicinais. Porém, apesar do florescimento desta área, o Budismo proibiu severamente a prática das cirurgias Ayurveda. O preceito da “não violência” (ahimsa) fez com que essa divisão da medicina fosse quase esquecida. O tempo passou e hoje na Índia, quando um médico Ayurveda se forma, ele ou ela recebem o título de Bacharel em Medicina Ayurveda e Cirurgia (BAMS).

Ashtanga Samgraha de Vagbhata

Este é o último e mais recente volume entre os três principais livros do Ayurveda. Um peregrino chinês I-Tsing anunciou, por volta de 500 a.C, que os trabalhos antigos da medicina indiana haviam sido compilados por um autor nascido numa província do Paquistão, chamado Vaghbata. Acredita-se que ele era budista e filho de um monge, com quem aprendeu medicina Ayurveda. Foi ele quem introduziu um novo tema – astrologia médica. Relacionou as doenças sobre a influência de determinadas constelações e seus efeitos variáveis. Além dessa obra, ele escreveu outro livro famoso, Ashtanga Hridaya, uma versão menor do primeiro livro e considerado mais claro na sua apresentação. Versos de Charak, Sushutra e diversos outros autores relevantes estão contidos nas obras deste autor. Muitos livros já foram escritos sobre Ayurveda desde então, mas para fecharmos este tema, três trabalhos merecem destaque. Eles foram combinados e batizados de “Trilogia Leve” (Laghu Trayi). São: “Madhava Nidana, Sharangadhara Samhita e o Bhava Prakasha de Bhava Mishra”.
5 Elementos Ayurveda

PANCHAMAHABUTA

Os cinco elementos primários

Os cinco elementos são a base cosmológica que compõe nossos corpos, o mundo e o Universo. Sem estes elementos, tudo ao nosso redor e dentro de nós deixaria de existir. Estes cinco elementos são referidos como “panchamahabhutas” no Ayurveda e o “pancha tattva” no Yoga. Eles não apenas compõem os elementos fundamentais de nossos corpos, mas também os aspectos sutis de nossos espíritos. Assim, através da purificação desses cinco elementos, somos capazes de nos equilibrar física, mental, emocional e espiritualmente. A teoria dos elementos não tem relação com a versão mais ocidental que conhecemos de origem Grega ou Romana, que só identificam 4 elementos. Para o Ayurveda existem na base da criação do universo 5 elementos fundamentais.  
“Pancha” = cinco 
“Mahabhutas” ou “Tattva” = elemento ou realidade

Quais são esses cinco elementos?

Os elementos formam os blocos de construção fundamental que compõem nossa realidade última. Toda a matéria viva ou inerte é uma combinação física e a manifestação desses cinco elementos no mundo relativo. Além disso, cada elemento representa um estado da matéria (sólido, líquido, gasoso e espacial). 
 
Os cinco elementos são: 
Akasha – éter 
Vayu – ar 
Agni – fogo 
Jala – água 
Prithvi – terra 
 
Com base em sua natureza orgânica, cada um desses elementos possui uma certa relação uns com os outros. Essas relações e suas combinações é o que forma a natureza como um todo. Alguns elementos entram em conflito uns com os outros, enquanto outros se complementam em um relacionamento sinérgico. Através da percepção consciente e de uma sensibilidade cultivada para observar esses cinco elementos, poderemos aprender a manter corpo e mente saudáveis. Se qualquer um desses elementos estiver desequilibrado e/ou impuro, eles podem causar doenças, e outras perturbações.
 
Aakasha (éter) 
Este elemento é o mais sutil entre todos os outros. Contém um número mínimo de partículas e por isso ocupa a maior área, uma vez que as partículas atômicas estão distribuídas independentes e livres. Está associado ao som, vibração e consciência e é descrito como luz, espiritual. É também conhecido como o espaço em que toda a matéria do mundo relativo existe. Está localizado nas cavidades dos pulmões, boca, ossos, trato digestivo e urinário e dentro dos vasos sanguíneos. Representa comunicação e transporte. Todos os outros elementos ocupam espaço dentro do nosso corpo e no universo. Atributos: leve, macio, diminuto e suave 
Efeitos no organismo: fornece leveza, penetrabilidade e maciez 
 
Vayu (ar) 
Gasoso, uma forma de matéria; representa a energia do movimento que envolve batimentos cardíacos, inspiração e expiração, o sistema nervoso e todos os outros movimentos que ocorrem dentro do corpo. É o elemento necessário que mantém o fogo aceso. 
Atributos: frio, seco, leve, diminuto e áspero 
Efeitos no organismo: fornece movimento, atividade, leveza e secura 
 
Fogo (Agni)
O elemento fogo é a representação do calor interno, força de vontade e volição. Relativamente, o fogo é quente, revigorante e estimulante. O elemento fogo é o que transforma alimento em energia e nossos pensamentos, sentimentos e emoções em impulsos. Radiante, está no sistema digestivo é responsável pelo metabolismo, temperatura corporal, visão e intelecto. O papel do fogo é transformação e conversão. Ele transforma o estado de qualquer substância, como sólidos em líquidos, líquidos em gás, de volta a sólidos e alimentos em energia. Também converte alimentos em gorduras e músculos. 
Atributos: quente, diminuto, leve, seco e claro 
Efeitos no organismo: digestão, luminescência e calor
 
Água (Jala)
Fluido, é o líquido no corpo, como saliva, suco gástrico, linfa e sangue. A água é essencial para a sobrevivência de todos os organismos vivos; extingue o fogo e dá forma à terra. Os organismos vivos não podem sobreviver na ausência de água. Este elemento está associado com fluidez e fluxo. É também uma representação dos sistemas cardiovascular e linfático. Tais sistemas auxiliam no transporte e oxigenação dos nutrientes para todos os órgãos internos do corpo. Bem-estar e saúde são estabilizados e mantidos organicamente apenas quando os líquidos continuam a fluir dentro dos sistemas cardiovascular e linfático. 
Atributos: líquido, oleoso, frio, macio, escorregadio e móvel 
Efeitos no organismo: lubrificação, umidade, solvência e aderência 
 
Terra (Prithvi)
É o estado sólido da matéria, uma substância estável que manifesta resistência, estabilidade, solidez e firmeza; estabiliza a água. Este elemento é também uma representação da estrutura que une nossos corpos – tendões, ligamentos, ossos e músculos. Ser capaz de acessar o elemento terra nos permite aterrar, centralizar e reconectar com a terra abaixo de nós. 
Atributos: pesado, duro, grosso, sólido e compacto 
Efeitos no organismo: fornece estabilidade, força, crescimento e rigidez
 
5 Elementos e os doshas

O QUE É DOSHAS NO AYURVEDA

Você já se perguntou o que realmente explica as diferenças entre as pessoas? Por que algumas pessoas são hiperativas e se movem rapidamente, enquanto outras são quietas e calmas? Por que algumas pessoas podem comer uma refeição de cinco pratos com facilidade, enquanto outras mal conseguem terminar uma salada? A genética moderna oferece algumas dicas, mas e as características e idiossincrasias que tornam cada pessoa única? O Ayurveda responde a todas essas perguntas com os três doshas: Vata, Pitta e Kapha. 

Os doshas são energias biológicas encontradas em todo o corpo e mente humana. Eles governam todos os processos físicos e mentais e fornecem a cada ser vivo um plano individual para a saúde e a realização. Os doshas derivam dos cinco elementos – panchamahabuthas – e de suas propriedades relacionadas. Vata é composto de éter e ar, Pitta de fogo e água e Kapha da terra e da água.
 
Uma pessoa com uma constituição predominantemente Vata terá qualidades físicas e mentais que refletem as qualidades elementares do éter e do ar. É por isso que os tipos Vata costumam pensar de forma rápida e ágil. Um tipo Pitta, por outro lado, terá qualidades reflexivas do fogo e da água, com uma personalidade impetuosa e pele oleosa. Um tipo Kapha normalmente terá uma estrutura corporal sólida e temperamento calmo, refletindo os elementos subjacentes da terra e da água. Enquanto um dosha predomina na maioria dos indivíduos, um segundo dosha tipicamente tem uma forte influência. Isto é referido como uma constituição “dual-doshic”. 

Os doshas são energias dinâmicas que mudam constantemente em resposta às nossas ações, pensamentos, emoções, aos alimentos que ingerimos, às estações do ano e quaisquer outras entradas sensoriais que alimentam a mente e o corpo. Quando vivemos a satisfação de nossas naturezas individuais, naturalmente tomamos decisões de estilo de vida e dietéticas que promovem o equilíbrio dentro de nossos doshas. Quando vivemos contra nossas naturezas intrínsecas, apoiamos padrões insalubres que levam a desequilíbrios físicos e mentais. Se a proporção de doshas em seu estado atual estiver próxima da constituição do seu nascimento, sua saúde será vibrante. Uma divergência entre esses estados, no entanto, indica um estado de desequilíbrio. Vikruti é o termo usado para descrever este desvio desequilibrado de prakruti ou a a constituição nata de cada um de nós. 

No total, existem três estados doshicos primários: 
Equilibrado: Todos os três doshas estão presentes em suas proporções naturais; também referido como “equilíbrio”. 
Aumentado: Um dosha particular está presente em uma proporção maior que o normal; também referido como um estado “agravado” ou “viciado”. Diminuição: Um dosha particular está presente em uma proporção menor do que o normal; também referido como um estado “reduzido” ou “esgotado”.
 
Dos três estados, o estado aumentado ou agravado leva ao maior número de desequilíbrios. Tais desequilíbrios podem surgir de qualquer número de influências, incluindo seguir uma dieta agravante do dosha ou, geralmente, tendo uma rotina estressante. Você pode iniciar uma restauração do equilíbrio, quando começa a entender qual é a sua constituição natal e como harmonizar seu ambiente interno e suas necessidades com o mundo externo. Somos mais suscetíveis a desequilíbrios relacionados ao nosso dosha predominante. 

Se você é do tipo pitta, por exemplo, pode sentir azia (um distúrbio de pitta comum) depois de comer alimentos condimentados. Dar preferência a alimentos refrescantes ou mais alcalinizantes, pode-se aliviar ou eliminar a azia e distúrbios similares. O Ayurveda oferece recomendações especificamente adaptadas para cada indivíduo, desde mudanças gerais no estilo de vida até o tratamento da doença (literalmente, um desequilíbrio dentro do nosso estado natural de “facilidade”). Por essa razão, o Ayurveda pode realmente ser chamado de sistema de assistência individualizada à saúde, algo notavelmente diferente da abordagem do “remédio para todos” do modelo ocidental. Como os doshas são usados para detectar desequilíbrios antes da manifestação da doença, o Ayurveda também é um sistema completo de medicina preventiva. 

Vata 
Vata deriva dos elementos éter e ar e se traduz como “vento” ou “aquilo que move as coisas”. É a energia do movimento e a força que governa toda a atividade biológica. Vata é muitas vezes chamado de “rei dos doshas”, pois governa a maior força vital do corpo e dá movimento a pitta e kapha. Assim como o vento em equilíbrio proporciona movimento e expressão ao mundo natural, o indivíduo equilibrado de vata é ativo, criativo e dotado de uma capacidade natural de se expressar e comunicar. Quando o vento em um tipo vata se enfurece como um furacão, qualidades negativas rapidamente ofuscam esses atributos positivos. 

Sinais comuns de desequilíbrio de vata incluem ansiedade e distúrbios corporais relacionados à secura, como pele seca e constipação. As qualidades do vata são secas, ásperas, leves, frias, sutis e móveis. Um indivíduo de vata exibirá características físicas e mentais que refletem essas qualidades em um estado equilibrado ou desequilibrado. Os principais locais de vata no corpo são o cólon, coxas, ossos, articulações, orelhas, pele, cérebro e tecidos nervosos. Fisiologicamente, vata governa qualquer coisa relacionada ao movimento, como respiração, fala, impulsos nervosos, movimentos nos músculos e tecidos, circulação, assimilação de alimentos, eliminação, micção e menstruação. Psicologicamente, vata governa a comunicação, criatividade, flexibilidade e rapidez de pensamento. 

Palavras-chave para lembrar: aterramento, aquecimento, rotina. 
•Coma uma dieta que equilibre vata 
•Coma em um ambiente pacífico 
•Envolvimento em atividades saudáveis e contemplativas (como passar tempo na natureza) 
•Siga uma rotina diária regular 
•Vá para a cama cedo 
•Medite diariamente 
•Faça exercícios físicos suaves como yoga, natação, tai chi ou caminhada 

Maneiras de tornar o vata desequilibrado 
•Comer alimentos agravantes de Vata 
•Comer com ansiedade ou depressão 
•Comer com muita rapidez 
•Beber álcool, café ou chá preto
•Fumar 
•Seguir uma rotina diária irregular 
•Dormir tarde da noite 

Pitta
Pitta deriva dos elementos fogo e água e se traduz como “o que cozinha”. É a energia da digestão e metabolismo no corpo que funciona através de substâncias transportadoras, como ácidos orgânicos, hormônios, enzimas e bile. Embora pitta esteja mais intimamente relacionado ao elemento fogo, é a natureza líquida dessas substâncias que explica o elemento água na composição de pitta. As qualidades de pitta são oleosas, afiadas, quentes, leves, em movimento, líquidas e ácidas. Um indivíduo pitta exibirá características físicas e mentais que refletem essas qualidades em um estado equilibrado ou desequilibrado. 

Os principais locais de pitta no corpo são o intestino delgado, estômago, fígado, baço, pâncreas, sangue, olhos e suor. Fisiologicamente, pitta fornece ao corpo calor e energia através da quebra de moléculas de alimentos complexos. Governa todos os processos relacionados à conversão e transformação em toda a mente e corpo. Psicologicamente, pitta governa a alegria, a coragem, a força de vontade, a raiva, o ciúme e a percepção mental. Também fornece a luz radiante ao intelecto. 

Quando uma pessoa tem uma tendência a “superaquecer”, o excesso de pitta geralmente é o responsável. Assim como uma fogueira pode se transformar em um incêndio florestal sem o devido cuidado, o fogo interno da mente e do corpo deve ser mantido sob controle. O indivíduo de pitta equilibrado é dotado de uma disposição alegre, um intelecto aguçado e uma tremenda coragem e impulso. No entanto, à medida que o fogo da mente e do corpo se tornam indisciplinados, a mudança de temperamento e comportamento rapidamente se altera. 

A raiva e o ego substituem os atributos positivos de pitta, transformando-o em uma pessoa amarga com a vida e arrogante em relação aos outros. Há um ditado que diz que indivíduos desequilibrados de pitta não vão para o inferno; eles simplesmente criam onde quer estejam, este inferno! Os desequilíbrios de pitta comumente se manifestam no corpo como infecção, inflamação, erupções cutâneas, úlceras, azia e febre. 

Palavras-chave a serem lembradas: resfriamento, calmante e moderação 
•Coma uma dieta equilibrada para pitta 
•Coma em um ambiente pacífico 
•Evite estimulantes artificiais 
•Envolva-se em atividades calmantes, como passar tempo na natureza 
•Medite diariamente 
•Faça exercícios físicos calmantes, como ioga, natação, tai chi ou caminhada 

Desequilibrado 
•Comer alimentos agravantes de Pitta 
•Comer irritado 
•Beber café, chá preto ou álcool 
•Fumar 
•Trabalhar excessivamente 
•Ser excessivamente competitivo 

Kapha
Kapha deriva dos elementos terra e água e se traduz como “aquilo que fica preso”. É a energia da construção e da lubrificação que fornece ao corpo a forma física, a estrutura e o bom funcionamento de todas as suas partes. Kapha pode ser pensado como o cimento essencial, cola e lubrificação do corpo. As qualidades de kapha são úmidas, frias, pesadas, opacas, suaves, pegajosas e estáticas. 

Um indivíduo kapha exibirá características físicas e mentais que refletem essas qualidades em um estado equilibrado ou desequilibrado. Os principais locais de kapha no corpo são o peito, garganta, pulmões, cabeça, linfa, tecido adiposo, tecido conjuntivo, ligamentos e tendões. Fisiologicamente, kapha umedece os alimentos, dá volume aos nossos tecidos, lubrifica as articulações, armazena energia e se relaciona com fluidos corporais frios, como água, mucosas e linfa. 

Psicologicamente, kapha governa o amor, a paciência, o perdão, a ganância, o apego e a inércia mental. Kapha fundamenta vata e pitta e ajuda a compensar os desequilíbrios relacionados a estes doshas. Assim como uma tempestade nutritiva pode se transformar em uma inundação desenfreada, os fluidos do corpo podem inundar os tecidos corporais, contribuindo para uma umidade pesada que recai sobre o corpo e nubla a mente. 

Este ambiente denso, frio e pantanoso torna-se o terreno fértil para uma série de distúrbios corporais, como obesidade, congestão nasal e qualquer coisa relacionada à mucosa. Mentalmente, a disposição amorosa e a calma do indivíduo kapha pode se transformar em letargia, apego e depressão. 

Palavras-chave a serem lembradas: secura, estimulo e expressão 
•Coma uma dieta que equilibra kapha 
•Coma em um ambiente amoroso 
•Evite um estilo de vida luxuoso e demasiado descontraído 
•Foque no não-apego na vida diária 
•Faça uma faxina emocional regularmente 
•Invista em atividades introspectivas, como meditação e escrita 
•Faça distinção entre ser pacífico e ser passivo 
•Vá para a cama cedo e levante-se cedo, sem sonecas diurnas
 
Desequilibrado 
•Comer comida agravante kapha 
•Comer para compensar as emoções (como se entregar a doces quando deprimido) 
•Despender muito tempo em climas frios e úmidos 
•Não praticar atividade física 
•Passar a maior parte do tempo dentro de casa (especialmente no sofá assistindo TV!) 
•Evitar os desafios intelectuais


Prakruti

O prakruti de um paciente é muito importante no Ayurveda. Muitas vezes traduzido como constituição de uma pessoa, o termo realmente significa “criação original”. O prefixo sânscrito “pra” significa “original” e “kruti” significa “criação”. O prakruti de uma pessoa é o equilíbrio inerente dos três doshas no momento da sua concepção. É nesse momento que as tendências fisiológicas e psicológicas de uma pessoa se tornam fixas. 
 
Por exemplo, as pessoas têm tendências que influenciam a espessura da pele, o comprimento dos dedos, a forma da palma da mão e a força da digestão. Existem tendências a favor ou contra todas as características corporais e fisiológicas. Além disso, há tendências para um tipo específico de personalidade e até mesmo como uma pessoa reagirá emocionalmente ao estresse. Temos tendências para ser introvertido ou extrovertido, acelerado ou calmo, intenso ou descontraído. Tudo isso está codificado na constituição. 
 
Um conceito muito importante do Ayurveda é que a constituição básica de alguém é fixa durante toda a sua vida. A combinação de vata, pitta e kapha que estava presente no indivíduo no momento da concepção é mantida durante toda a sua vida. Observe que pessoas diferentes podem ter uma combinação diferente de vata, pitta e kapha como sua constituição básica ou prakruti. É assim que o Ayurveda pode explicar as sutis diferenças entre os indivíduos e explica por que todos são únicos. 
 
Duas pessoas podem reagir de maneira muito diferente quando expostos ao mesmo ambiente ou estímulo. Seu prakruti é exclusivo para você, assim como sua impressão digital e DNA. Assim, para se entender uma pessoa, é necessário determinar sua prakruti. Cada criatura viva tem todos os três doshas dentro deles. Não podemos existir sem uma certa quantidade de cada um. Kapha fornece a cada um de nós, tecidos; pitta fornece ação metabólica e vata nos permite mover e nos expressar. 
 
Nossa constituição é mais bem definida em termos da porcentagem de cada energia dentro da constituição de uma pessoa. Desta forma, não há três tipos (vata, pitta ou kapha), ou mesmo sete tipos (combinações), mas um número infinito de combinações e permutações sem que duas pessoas sejam exatamente iguais Os três doshas são as forças fisiológicas do corpo. A constituição de uma pessoa é definida em termos do equilíbrio inerente desses três doshas. É a interação entre esses doshas que é responsável tanto pelo tipo de corpo quanto pela personalidade. 
 
Conhecer a constituição de uma pessoa é conhecer suas tendências. Se uma pessoa conhece suas tendências, ela pode tomar as ações que mantêm suas tendências sob controle. Uma pessoa que sabe que tem tendência a sentir frio evita facilmente que se torne demasiado frio ao usar mais roupa ou beber bebidas quentes. Conhecer suas tendências constitucionais é ter o conhecimento necessário para criar equilíbrio em sua vida.

Vikruti

Vikruti significa “depois da criação”. A raiz sânscrita “vi” significa “depois” e a raiz “kruti” significa “criação”. O vikruti de uma pessoa é o estado dos três doshas após o momento da concepção. Após este momento, o embrião humano é exposto e alterado por seu ambiente. Em um ambiente saudável, o embrião se forma de maneira ideal. Após o nascimento, se o ambiente permanecer ideal, a criança crescerá saudável. No entanto, em um ambiente em desequilíbrio, os três doshas tornam-se desequilibrados e alteram a fisiologia normal, resultando nos sintomas que poderão conduzir a doenças. 
 
No Ayurveda, quando falamos sobre o vikruti de um paciente, estamos nos referindo ao estado atual dos três doshas e como eles estão se expressando no corpo e na mente. Devido ao ambiente em desequilíbrio no qual a maioria de nós se encontra, nosso vikruti nos ajuda a entender os sintomas que estamos experimentando. No entanto, deve ser entendido que, em um ambiente ideal, o vikruti e o prakruti serão equânimes. Neste estado, as tendências que existem no corpo e na mente não estão se expressando de uma maneira a causar perturbações e desequilíbrios. 
 
Um objetivo importante no protocolo de diagnóstico do Ayurveda é entender o vikruti de uma pessoa e, em seguida, entender quais aspectos do ambiente contribuem para o distúrbio. Uma vez conhecido, o objetivo é corrigir o ambiente. Nesse contexto, o ambiente refere-se tanto ao que o paciente recebe através de seus cinco sentidos quanto à natureza do seu estilo de vida. Conhecer o prakruti de uma pessoa é essencial para entender suas tendências mais profundas. Conhecer o vikruti de uma pessoa é essencial para a elaboração de um programa de tratamento. 
 
De acordo com o Charaka Samhita, há três pontos que devem ser levados em consideração para que um tratamento seja considerado ayurvédico: o médico ayurveda deve conhecer a natureza do paciente (prakruti) , a natureza do desequilíbrio ou doença (vikruti) e a natureza dos remédios (dravya guna – as qualidades de uma substância). Com esse conhecimento, o médico ayurveda pode prescrever um programa de cuidados para guiar o paciente de volta à saúde. 
 
Uma pessoa pode ter uma constituição diferente de seu vikruti? 
Independentemente da constituição de uma pessoa, um desequilíbrio em qualquer dosha pode aparecer. Desequilíbrios são criados pelo ambiente em que vivemos e em nosso estilo de vida. Por exemplo, qualquer pessoa ficará quente e “viciará” o dosha pitta se a temperatura se mantiver quente constantemente. No entanto, uma pessoa de pitta prakruti aumentaria sua temperatura mais rapidamente, já que eles já têm uma tendência a se sentirem quentes. Assim, pode-se dizer que uma pessoa com uma natureza pitta tem uma tendência para um desequilíbrio pitta. 
 
O ritmo da vida hoje em dia, muitas vezes agitado e frenético, causa desequilíbrios e pode nos levar a viciar nosso dosha vata, por exemplo, independentemente da constituição de um indivíduo, se estivermos o tempo todo nos movendo sem o devido descanso. No entanto, uma pessoa com uma constituição vata desenvolverá um desequilíbrio de vata mais intenso, neste situação, que outros, como seria para alguém com uma natureza mais estável (kapha). 
 
Qual a melhor maneira de determinar o prakruti e o vikruti de uma pessoa? 
O prakruti de uma pessoa é mais bem determinado pelos fatores mais estáveis da sua natureza. Estes fatores revelam as tendências mais profundas. A estrutura física dá a maior pista para se determinar as tendências constitucionais. Embora a estrutura possa mudar devido a desequilíbrios, é a menos provável de se alterar, exceto para o peso corporal. Por isso, é mais confiável do que indicadores funcionais. Os indicadores funcionais, no entanto, ainda são úteis quando revelam padrões ao longo da vida. 
 
Outro bom indicador de prakruti é a natureza da voz e a personalidade básica. Embora isso possa mudar, eles geralmente só o fazem quando uma pessoa é exposta a um grande trauma. Indicadores funcionais, como padrões de digestão, eliminação ou sono, podem ser usados para avaliar prakruti e vikruti, enquanto os padrões presentes ao longo da vida são indicadores de prakruti. Qualquer tendência que se expresse agora, no momento presente, é um indicador de vikruti. Os conceitos de Prakruti e Vikruti podem ser ilustrados usando como referência a nossa temperatura corporal. 
 
Quando saudável, mantemos uma temperatura corporal média de cerca de 36 graus. Embora pessoas diferentes possam ter diferentes temperaturas básicas, elas não mudam muito enquanto a pessoa estiver saudável. Quando saímos em um dia de inverno, nossa temperatura corporal pode diminuir um pouco; mas voltará ao normal se estivermos saudáveis. Da mesma forma, fazer uma corrida em um dia quente pode aumentar temporariamente a temperatura do corpo. Quando estamos doentes ou resfriamos, a temperatura do nosso corpo aumenta. Isso indica que estamos doentes ou fora de nossa condição básica normal. 
 
Em analogia ao Ayurveda, nossa temperatura atual pode ser considerada como Vikruti e a diferença entre a Prakruti (nossa temperatura normal) e Vikruti (nossa temperatura atual) pode determinar se qualquer intervenção médica é necessária. Assim como um médico alopata mede nossa temperatura e pressão arterial como o primeiro passo, muitas vezes, para diagnosticar a condição, os médicos Ayurveda determinarão nosso Prakruti e Vikruti como o primeiro passo no diagnóstico. Portanto, antes de embarcar em uma jornada para a perfeita saúde e longevidade, é importante que você entenda seu prakruti e vikruti e determine até que ponto eles estão separados. Com este conhecimento, podemos mapear uma estratégia de tratamento. Esta é a premissa básica do Ayurveda.
7 dhatus tecidos

QUAIS OS 7 DHATUS

Os sete dhatus são os sete tecidos do corpo: plasma, sangue, músculo, gordura, osso, medula / nervo e tecido reprodutivo. Em sânscrito, eles são rasa, rakta, mamsa, meda, asthi, majja e shukra, respectivamente. Estas são as estruturas que compõem o corpo. Entretanto, como a maioria dos conceitos da literatura védica, eles são muito mais do que suas definições unidimensionais. Eles são essenciais para entender as relações dos tecidos no corpo, e são locais onde os doshas entram quando provocam as doenças. 

Uma compreensão dos sete dhatus é importante para entendermos a patologia; o que há de errado no corpo. Quando um dosha entra em um dhatu, uma compreensão adequada do dhatu ajuda o médico ou o terapeuta a prever os sintomas que se manifestarão e ainda fornece pistas para o melhor tipo de tratamento.
 
O Ayurveda descreve sete dhatus ou tecidos que são construídos sequencialmente durante um período de 30 dias, culminando na produção de pequenas quantidades dos Ojas mais refinados, quando funcionando adequadamente. Primeiro, a comida é digerida por Agni na boca e no estômago, com a porção utilizável absorvida pelo intestino delgado e os dejetos formam as fezes que são excretadas. Em seguida, esta porção utilizável passa para o fígado e é digerida por outro Agni, decompondo-se ainda mais em suas qualidades elementares.

1. Rasa 
Rasa dhatu refere-se às águas primárias do corpo. A palavra rasa significa seiva, suco ou líquido. No corpo físico, rasa refere-se diretamente ao plasma, ou porção não celular do sangue; a linfa e fluidos intersticiais. Como secreções aquosas, o rasa dhatu se relaciona indiretamente ao leite materno e ao fluido menstrual. A natureza de rasa é mais que fluida; é nutrição. O açúcar e os nutrientes se misturam com o plasma e são transportados para todos os tecidos do corpo. Quando rasa dhatu está saudável, nos sentimos saciados. Esta satisfação é tanto física quanto psicológica. Satisfação física é a sensação de saúde e bem-estar que toda célula experimenta quando está bem nutrida. 

A satisfação psicológica é a sensação de que nossas necessidades mais básicas foram atendidas. Como resultado, há uma base sólida para um crescimento psicológico saudável. Com satisfação física e psicológica, a fundação está preparada para que possamos servir à sociedade e cumprir nosso dharma. O rasa dhatu, sendo composta do elemento água, tem qualidades semelhantes. É frio, pesado, úmido, macio, estável, liso, fluindo, nublado, grosso e sem brilho. Essas qualidades são muito semelhantes ao dosha kapha, que é composto por água e terra. Assim, a saúde do rasa dhatu desempenha um papel importante na determinação da saúde do dosha kapha. 

Na formação dos dhatus, kapha é o mala (produto residual) produzido pela formação da rasa dhatu. Quando o rasa dhatu é esgotado, as qualidades de kapha e da água diminuem. A pele torna-se seca e áspera, a secura nas entranhas produz prisão de ventre e as mucosas secas perdem a capacidade de resistir a doenças, tornando-se terreno fértil para infecções. Além disso, a secreção de leite materno é reduzida e o fluxo menstrual torna-se escasso. Na mente, nada parece certo. Há uma insatisfação crescente que não pode ser facilmente saciada por mudanças no ambiente. Em resumo, rasa dhatu fornece sustento ao corpo e à mente. É a seiva que atravessa os vasos de nossos corpos. É importante cuidá-lo bem e assegurar que tenhamos uma vida satisfatória.
2. Rakta 
Rakta dhatu refere-se ao fogo primário do corpo. A palavra rakta significa colorida e avermelhada. Dependendo do seu uso, também pode significar apaixonada. Cada um desses significados tem implicações importantes do ponto de vista da saúde e da cura. No corpo físico, rakta se refere diretamente ao sangue, especificamente aos glóbulos vermelhos, e indiretamente aos tendões e à bile. Rakta dhatu é mais que sangue. É o portador do fogo que revigora o corpo e a mente. Como tal, quando rakta dhatu é saudável, uma pessoa se sente energizada com uma paixão saudável pela vida. 

Quando o rakta dhatu está em excesso, o calor no corpo aumenta, os tecidos do corpo experimentam inflamação e a mente experimenta maior intensidade e foco mais aguçado. Quando rakta dhatu é deficiente, o calor no corpo diminui e os tecidos do corpo ficam frios e rígidos, enquanto a mente perde a nitidez e o foco. O rakta dhatu, sendo composto principalmente do elemento fogo, tem qualidades semelhantes. É quente, leve, seco, duro, instável, áspero, fluindo, claro, sutil e afiado. 

Essas qualidades são muito semelhantes ao pitta dosha, que é composto principalmente por fogo e um pouco de água. Assim, a saúde do rakta dhatu desempenha um papel importante na determinação da saúde do pitta dosha. Na formação do dhatus, pitta dosha é o mala (produto residual) produzido pela formação do rakta dhatu. Rakta dhatu também tem uma relação especial com o fígado. O fígado é o local de origem da raktavaha srota, que é o canal através do qual a forma instável de rasa (posya rasa dhatu) deve passar antes da formação do rakta. Quando o rakta dhatu está superaquecido, o mesmo acontece com o posya rasa dhatu. Como resultado, o fígado e o baço ficam superaquecidos e possivelmente aumentados. 

É o que ocorre durante a hepatite. Quando o rakta dhatu é esgotado, as qualidades de pitta dosha e fogo diminuem. Uma pessoa sente frio, a pele perde o brilho tornando-se cinza pálida ou empoeirada, e a frieza faz com que o corpo fique constipado e reduzir a micção e o suor. Na mente, o esgotamento do rakta dhatu leva ao embotamento e à dificuldade de processar e entender novas informações. Isso muitas vezes leva à confusão e mal-entendidos. Quando o rakta dhatu está em excesso, as qualidades de pitta dosha e fogo aumentam. A pessoa se sente mais quente. 

Como o calor se acumula no corpo, o corpo tenta liberar o calor. Isso ocorre de várias maneiras; uma delas é através da pele. A vasodilatação traz sangue para a superfície, a fim de resfriá-lo. Isso faz com que a pele pareça mais vermelha. No início, a pele ganha um bom brilho, mas se o calor continuar aumentando, as erupções se desenvolvem. A vasodilatação também pode ser vista nos olhos, que também ficam avermelhados. O corpo tenta liberar o excesso de calor junto com os malas do corpo. A frequência de evacuações aumenta e as fezes podem ficar com a textura mole. A frequência de micção também aumenta. 

O sinal mais visível do corpo que tenta reduzir o excesso de calor, no entanto, é muitas vezes sentido como um aumento do suor. Se o excesso de calor não puder ser adequadamente removido, resultará em sensações de queimação dentro das membranas mucosas e, eventualmente, inflamação e febre. À medida que o calor se espalha, qualquer tecido ou órgão pode ser afetado. Para avaliar a saúde do rakta dhatu, o sangue deve ser avaliado. A contagem de glóbulos vermelhos indica a quantidade de rakta dhatu que está presente. A morfologia celular e os níveis de hemoglobina são indicadores de sua qualidade. 

Alguns desequilíbrios não aparecem nos exames de sangue, mas podem ser observados de outras maneiras. O exame do rakta dhatu deve incluir um exame da aparência de um indivíduo, a palpação do fígado quanto ao tamanho e sensibilidade e a observação da esclera dos olhos por descoloração vermelha ou amarela. Os tendões do corpo devem ser palpados e o praticante deve perguntar se há uma história de tendinite. Os tendões são um upadhatu da formação do rakta dhatu. A tendinite é um indicador da vitalização pitta dentro do rakta dhatu.
3. Mamsa 
O termo “mamsa dhatu” significa literalmente “carne”, mas no Ayurveda refere-se aos músculos do corpo. No corpo físico, mamsa dhatu refere-se diretamente aos músculos e indiretamente aos ligamentos e pele. Mamsa dhatu é mais que músculo; é o provedor de força, coragem, fortaleza e autoconfiança. É também o veículo através do qual nos expressamos. Quando saudáveis, nossos músculos trabalham de maneira modesta para expressar as necessidades e desejos do ego, enquanto também estão disponíveis para expressar a inspiração criativa do Divino. 

Em outras palavras, nossa carne (corpo) é o veículo expressivo tanto do jivatman (aquela parte de nossa alma que se identifica com o ego) quanto do paramatman (aquela parte de nossa alma que se identifica com o Divino). O músculo é construído da terra e do fogo e é então motivado pelo ar. A terra fornece a substância a partir da qual a estrutura volumosa do músculo é feita, e o fogo inflama o motor que direciona seu foco e ação. O músculo é um tecido altamente metabólico. 

Enquanto a terra e o fogo desempenham seus papéis fundamentais na construção do tecido, é o ar que inspira e inicia seu movimento. Para produzir mamsa dhatu saudável, a terra adequada deve ser consumida através da dieta. O elemento terra é encontrado em grandes quantidades dentro de grãos, nozes, carnes e legumes. Apenas o consumo desses alimentos, no entanto, não é suficiente para construir a mamsa dhatu. O elemento terra deve ser digerido adequadamente para que suas qualidades possam ser reutilizadas para construir mamsa dhatu. No caso de não haver elementos terra suficientes para gerar mamsa dhatu, então os tecidos do corpo que são formados sempre serão inadequados.
4. Medha 
Medas dhatu refere-se aos tecidos gordurosos do corpo. Enquanto o termo literalmente pode ser traduzido como gordura, conceitualmente significa as águas concentradas do corpo. No corpo físico, além da gordura corporal, o meda dhatu se relaciona com o óleo da pele. Estes tecidos são os principais locais de armazenamento do excesso de gordura corporal no abdómen. Os resíduos produzidos pela formação de medas dhatu são o suor e o óleo. 

Medas dhatu é construído principalmente a partir do elemento água e secundariamente da terra. A presença de água revela a natureza nutritiva do tecido adiposo. A presença da terra revela seu papel na estabilização das funções do corpo e da mente. Medas dhatu tem uma relação contraprodutiva com os elementos restantes. Enquanto preenche o espaço vazio do éter, reduz a inspiração. Em excesso, isso resulta em uma mente fechada. Também atua como um obstáculo ao ar, retardando os movimentos do corpo. Em excesso, cria letargia. 

Também suprime o fogo, reduzindo a atividade metabólica. Em excesso, a digestão torna-se lenta e todos os dhatus começam a aumentar. Entretanto, por essas mesmas razões, é protetor contra condições de excesso de éter, ar e fogo. Para produzir medas dhatu saudáveis, terra e água adequadas devem ser consumidas através da dieta. Apenas o consumo não garante que medas saudáveis sejam formadas. Os dois elementos devem ser adequadamente digeridos para que suas qualidades possam ser usadas para construir gordura corporal. 

Assim, o jatharagni (fogo digestivo principal) deve ser saudável. Se não for saudável, ao invés de formar medas saudáveis, esses mesmos alimentos produzirão ama e toxificarão o corpo e a mente. Medas dhatu é mais do que os tecidos gordurosos e oleosos do corpo. Ele desempenha um papel importante em nossa capacidade de amar e ser amado. 

Você pode lembrar que a saúde do rasa dhatu desempenha um papel importante na capacidade de uma pessoa se sentir satisfeita. Essa satisfação, no entanto, é frágil e dependente de ser constantemente alimentada. Por esta razão, é frequentemente de curta duração. O meda dhatu, sendo uma forma concentrada de rasa, aprofunda e estabiliza esse sentimento. Quando o meda dhatu é saudável, há uma satisfação mais profunda e duradoura que é menos facilmente perturbada, fornecendo uma base sólida para o amor.
5. Asthi 
Asthi significa osso. O asti dhatu dá estrutura sólida ao corpo. Além da formação dos ossos do corpo, os dentes são formados através deste processo e são, portanto, o upadhatu (tecido secundário) da produção de asti dhatu. Os produtos residuais (malas) desse processo metabólico são o cabelo e as unhas. O purisha dhara kala é a membrana que contém o agi asti. Purisha significa “fezes”. 

O termo também é usado para descrever o intestino grosso como na srota purishavaha. Aqui reside uma pista importante da relação entre a saúde do intestino grosso e a dos ossos. O intestino grosso é o local de origem do dosha vata. A estreita relação entre esses dois tecidos revela a suscetibilidade dos ossos aos distúrbios de vata. Quando há patologia no intestino grosso (gás, constipação), a patologia é transferida para os ossos que se tornam mais porosos e cheios de ar. Tal é o caso da osteoporose. 

Os ossos são compostos de uma estrutura sólida organizada como uma matriz. Essa matriz pode ser visualizada como a letra X. As linhas que formam a letra são sólidas e feitas de terra. O espaço entre as linhas está cheio de ar. Assim, os ossos criam uma estrutura sólida, porém leve, permitindo que o corpo se mova facilmente. Os ossos longos têm um núcleo oco que é preenchido com tecido hematopoético chamado medula. Este é um aspecto do majja dhatu.
 
Quando o asni agni é baixo, o asti dhatu é produzido em excesso. Quando isso ocorre, o tecido produzido é mais denso. Aqueles com uma natureza kapha, tendo menor agni, produzem ossos mais grossos e densos. Aqueles com uma natureza pitta, tendo um agni maior, produzem ossos que não são tão densos, mas são mais metabolicamente ativos. Isso pode levar ao estreitamento e fraqueza nos ossos, bem como inflamação se o pitta se tornar viciado. 

Aqueles com uma natureza vata, tendo um agni variável, produzem menos asthi dhatu, e o que é produzido é de pior qualidade. É mais fino e mais frágil. Para produzir um asti dhatu saudável, a terra e o ar adequados devem ser consumidos no equilíbrio adequado através da dieta. A terra está presente em alimentos doces, como grãos e nozes e alimentos adstringentes, como feijão. O ar está presente em alimentos amargos e picantes, como a maioria dos vegetais. 

Apenas o consumo destes alimentos não garante a formação de asthi saudável. Os dois elementos devem ser apropriadamente digeridos para que suas qualidades possam ser usadas para construir ossos. Assim, o jatharagni (fogo digestivo principal) deve ser saudável. Se não for saudável, em vez de formar ossos saudáveis, esses mesmos alimentos produzirão ama e intoxicarão o corpo e a mente.
6. Majja 
Majja significa medula, como na medula óssea (asma-majja). No entanto, o termo tornou-se sinônimo de sistema nervoso, que é envolto em osso como medula óssea. O crânio é o invólucro do cérebro. As vértebras são o invólucro da medula espinhal. Enquanto o cérebro e a medula espinhal compõem o sistema nervoso central, o majja dhatu está associado a todo o sistema nervoso. O sistema nervoso e a medula óssea são tratados como estruturas homólogas no Ayurveda. 

Para produzir majja dhatu, os elementos primários que devem ser tomados no equilíbrio adequado são ar e água. O equilíbrio do ar regula o fluxo de impulsos nervosos. A água fornece um contrapeso ao ar, protegendo o nervo contra movimentos excessivos e agitação. O cérebro, bem como a mielina que envolve a estrutura do nervo, consiste em grande parte de gordura. É composto principalmente do elemento água e possui características semelhantes a kapha.

Em um nível psicológico, o majja proporciona nossa sensação de satisfação, preenchendo o vazio que experimentamos internamente. Quando majja dhatu é saudável, há uma sensação de plenitude e conclusão. Quando deficiente, existe uma sensação de vazio. Em excesso, há a sensação de estagnação que resulta em uma sensação de estar cheio demais. Nem o corpo nem a mente querem se mexer ou trabalhar. Há uma perda de motivação. 

No corpo sutil, o majja dhatu é dependente do fluxo do prana principalmente através dos chakras svadhisthana e anahata. Através desses chakras, as qualidades da água e do ar circulam respectivamente. O estilo de vida é a causa primária das doenças e a correção é o componente mais importante para a cura. Em nenhum lugar isso é mais óbvio do que quando o majja dhatu fica viciado. Quando o vata está viciado, a pessoa deve descansar mais e evitar situações estressantes. Viagens devem ser evitadas. Devem ser estabelecidas rotinas que sejam praticadas com consistência. 

É melhor que um amigo esteja por perto para fornecer apoio adicional e aliviar os encargos da vida diária. É particularmente importante evitar conflitos e debates. A pessoa / paciente deve ser educada(o) para entender que o foco excessivo irá superaquecer o sistema nervoso. As atividades alegres e divertidas são as melhores opções nessa situação. Quando o kapha está viciado, é chamado um estilo de vida ativo que inclui menos sono e maior envolvimento no mundo. A espontaneidade deve ser apoiada. Rotinas regulares devem ser adotadas desde que essas atividades sejam ativas e envolventes.
7. Sukra 
Shukra significa brilhante, puro e radiante. Também pode significar a “essência” de alguma coisa. No Ayurveda, o termo é comumente usado para descrever tanto o sêmen masculino quanto o óvulo feminino, pois eles contêm a essência de todos os outros dhatus (tecidos) do corpo. Shukra é o sétimo e último dhatu no ciclo de formação do dhatus. Uma pessoa que tem shukra saudável tem um brilho de confiança, com olhos e pele que parecem irradiar luz. Um indivíduo sensível pode perceber essa luz. 

Outros podem percebê-lo como brilho ou podem simplesmente sentir a força e a confiança de quem o possui. Às vezes, dois termos distintos são usados para descrever a semente masculina e a feminina. Shukra aplica-se universalmente ao esperma, mas também pode aplicar-se a toda a composição do sêmen. Artava é o termo equivalente usado para significar óvulo. No entanto, artava também se refere ao sangue menstrual, um produto da rasa dhatu. Assim, shukra é o melhor termo para descrever o fator que nutre os tecidos reprodutivos masculinos e femininos. 

Enquanto alguns textos, como Charaka, dizem que não há resíduos da formação de shukra dhatu, outros afirmam que o produto residual formado é um resíduo genital chamado smegma. Ao contrário dos outros dhatus, não existe uma forma instável de shukra dhatu a ser digerida e transformada em outro dhatu. Shukra é o fim da linha no ciclo de transformação do dhatu. A jornada de rasa o ojas é um ciclo que leva seis dias de acordo com vaidya Charaka e um mês de acordo com vaidya Sushruta. Para produzir shukra dhatu, o elemento primário que deve ser consumido é a água. 

A água é o principal alimento do corpo e dos dhatus, e o shukra é a sua forma mais refinada. Outros dhatus que são predominantes no elemento água são a rasa e medas dhatus. O rasa dhatu é o mais próximo da água real, embora o rasa, que significa suco, contenha muitos micronutrientes dissolvidos no plasma, linfa e fluidos intersticiais. Medas dhatu é mais refinado e armazena a energia da água como gordura corporal. A gordura corporal é uma mistura semi-sólida de água e terra. A água de shukra dhatu é a essência dessas outras águas. Somente os alimentos mais nutritivos contêm a essência da água, e somente a digestão adequada a libera como shukra. Os alimentos que têm alto potencial de shukra são untuosos (viscosos) e incluem leite, suco da carne, ghee e nozes.
 
Em um nível psicológico, shukra dhatu está relacionado à capacidade de sustentar a criatividade. Quando o dhatu é saudável, há um instinto criativo natural e uma capacidade de ver o ato criativo até a conclusão. Quando o dhatu é deficiente, ainda pode haver um instinto criativo, mas a capacidade de segui-lo até a conclusão diminui. Assim, os esforços criativos e a conclusão de projetos criativos é um desafio. Isso é típico da psicologia vata e se torna mais um desafio à medida que vata se torna mais e mais viciado. 

Quando o dhatu está em excesso, ele pode realmente bloquear o instinto criativo. No entanto, qualquer criatividade que surgir provavelmente será lenta e constantemente manifestada. Na pessoa com uma natureza mais pitta, o calor que entra no dhatu traz paixão em suas atividades criativas. Quando está viciado, o pitta pode esgotar o instinto criativo e a capacidade de seguir adiante. Há muita confusão e equívoco sobre o que constitui a gestão adequada da energia sexual. Não há dúvida, no entanto, que a sua gestão adequada é importante para o bem-estar da pessoa. 

Charaka nomeou brahmacharya como um dos três pilares da vida, juntamente com dieta e descanso adequados. Brahmacharya significa celibato, e é geralmente aceito que o celibato corretamente praticado leva à vida mais longa e saudável. No entanto, também está acordado que aqueles que são fortes podem se envolver em atividades sexuais sem consequências negativas para sua saúde. Assim, pode-se entender que não é a atividade sexual que enfraquece uma pessoa, mas sim que uma pessoa fraca é enfraquecida ainda mais pela atividade sexual. 

Nesta pessoa, a energia sexual deve primeiro ser restaurada. Este é o processo da terapia vajikarana. O Ayurveda não enfatiza fortemente a moralidade em função da expressão sexual. O Ayurveda também não tem preferência por um estilo de vida monástico ou celibatário. Em vez disso, o grau em que uma pessoa se envolve em atividade sexual é uma função da saúde do shukra dhatu e do dharma de uma pessoa. Se o dharma de uma pessoa está no mundo a expressão sexual é uma parte natural e saudável de um relacionamento. 

Dois parceiros saudáveis devem se engajar em atividades sexuais com o objetivo de produzir descendentes e também com o propósito de abrir seus corações um para o outro e para o Divino. Deve-se ter cuidado para que a atividade sexual não se torne excessiva. Se o dharma de uma pessoa está fora do mundo como um monge espiritual, então a expressão sexual é proibida. Isto não é uma questão de moralidade, mas de praticidade. Para o monge, construir o shukra é necessário para sua transmutação em ojas. Altos níveis de ojas são necessários para realizar práticas espirituais intensas. 

Aqueles com uma natureza kapha têm a maior tendência constitucional de poder sustentar a energia sexual e geralmente podem ter mais sexo, sem criar esgotamento. Aqueles com uma natureza vata tendem a ter níveis mais baixos de shukra e, portanto, seu interesse pelo sexo é altamente variável e eles devem ser mais cuidadosos. Aqueles com uma natureza pitta, tendo um pouco de água em sua constituição, têm tendências mais moderadas, embora haja muita paixão dentro de suas ações. Em geral, quanto mais fortes as práticas de raja yoga (asana, pranayama, meditação), menos atividade sexual a pessoa deve fazer, já que suas práticas requerem altos níveis de shukra e fortes ojas.

Ojas

Segundo o Ayurveda, existe uma substância especial no corpo que regula o envelhecimento, a imunidade, a pele radiante, o vigor, o humor, o sono, a digestão, a espiritualidade e a força física. Esta substância é chamada ojas (OH-jas). Em sânscrito, ojas tem dois significados proeminentes. No contexto de saúde física e vitalidade, significa “vigor”. No contexto do bem-estar espiritual e emocional, é referido como “a expressão fisiológica da consciência”. 

Talvez a melhor maneira de descrevê-lo seja compará-lo a como o mel é feito. Dez a vinte mil abelhas por colmeia coletam o néctar de milhares de flores e as concentram no mel: os “ojas” das flores. Da mesma forma, quando comemos alimentos frescos, não processados, quantidades microscópicas de sua essência se acumulam ao longo do tempo através do processo de digestão saudável e se transformam em ojas. Se o processo digestivo for perturbado, a essência dos alimentos não será extraída e nenhum ojas será produzido. 

Ojas é considerado o subproduto mais refinado da digestão. Para digerimos uma refeição completamente precisamos de mais ou menos 24 horas; para o corpo digerir os alimentos e refiná-los o suficiente para fabricar esta substância, são necessários 30 dias completos. Infelizmente, durante esses 30 dias, existem muitos fatores que podem prejudicar sua produção, acarretando falta de vigor e alterando a imunidade. Na prática do Ayurveda, acredita-se que ojas seja responsável pela vitalidade, força, saúde, vida longa, imunidade e bem-estar mental / emocional. 

O assento (ou localização) de ojas dentro do corpo está no coração. Um indivíduo pode revigorar, reparar e proteger o seu ojas seguindo uma dieta satívica, praticando a meditação e promovendo o equilíbrio em todos os aspectos da sua vida. Durante a prática de yoga, os indivíduos podem praticar asanas relaxantes e que abrem o coração para fortalecer e aumentar seu ojas. Ojas é dito ser a substância pura que é acumulada a partir de alimentos devidamente digeridos e nutritivos. Dá vida e energia às células do corpo. 

Alimentos não satívicos, como carne, alimentos processados, alimentos oleosos, alimentos reaquecidos e alimentos que não são preparados na hora, dificilmente são convertidos em ojas. O oposto de ojas é ama, que é considerado um resíduo tóxico nas células que promovem doenças. É criado pelo consumo de alimentos não satívicos e pela prática de hábitos ou emoções destrutivos. Um indivíduo pode neutralizar ama reparando seu ojas. Sentir que estamos descansados, centrados, equilibrados sãosinais de ojas abundantes. Uma língua de cor saudável, com a digestão fácil, mente clara também. 

Atividades que destroem Ojas 
Segundo o Ayurveda, o estresse e as atividades excessivas empobrecem o ojas. Isso faz sentido quando consideramos a pesquisa do Dr. Gerson em seu livro The Second Brain, que confirmou que os humanos processam a maior parte de seu estresse através do sistema digestivo. Vamos lembrar que 95% da serotonina do corpo e a maioria de seus neurotransmissores são fabricados e armazenados no intestino. O estresse também é o principal culpado por excesso de hormônios que combatem o estresse e os radicais livres, que alteram a função e o fluxo da rede de informação baseada em peptídeos (ojas) do corpo. 

A produção de ojas e os neuropeptídeos são muito dependentes da eficiência da digestão. Como a produção do fluido reprodutivo é o último passo antes que o ojas supremo seja produzido, o fluido reprodutor carrega todo o ojas acumulado que se prepara para ser armazenado no coração. O sexo excessivo pode esgotar o ojas tanto no esperma quanto no óvulo, impedir que o ojas supremo entre no coração e até mesmo esgotar as reservas de ojas no coração. Múltiplos orgasmos por dia ou sexo todos os dias por longos períodos de tempo esgotam as reservas.

Agni

O conceito ayurvédico de fogo, ou agni, é criticamente importante para nossa saúde geral. Agni é a força da inteligência dentro de cada célula, cada tecido e cada sistema dentro do corpo. Em última análise, é o “discernimento” do agni que determina quais substâncias entram em nossas células e tecidos e quais substâncias devem ser removidas como resíduos. Dessa maneira, Agni é o guardião da vida. De fato, segundo o Ayurveda, quando o agni se extingue, a morte logo chega. 

O Ayurveda identifica uma vasta gama de funções pelas quais o agni é diretamente responsável, mas também nos ensina que o agni enfraquecido e danificado está na raiz de todos os desequilíbrios e doenças. Vamos frisar essa frase para lembramos como é importante aprender a reconhecer os sinais e sintomas de agni saudável ou prejudicado, e ajudá-lo com algumas ferramentas práticas para restaurá-lo. O Ayurveda identifica pelo menos 40 subtipos distintos de agni no corpo – cada um definido por sua função fisiológica específica e sua localização no corpo. 

A mãe de todos eles é jathara agni, o fogo digestivo central que governa a digestão e a assimilação dos alimentos. Mas há muitos outros componentes do fogo nas células, tecidos e órgãos do corpo que governam coisas como percepção sensorial e nutrição de alimentos específicos e tecidos. Manifestações localizadas de agni também determinam quais substâncias podem atravessar as membranas celulares e manter a memória celular em nosso DNA.

Apesar dessa diversidade aparente, é importante reconhecer que o agni compartilha as mesmas qualidades fundamentais em todos os lugares em que existe no corpo. É quente, afiado, leve, penetrante, disperso, sutil, luminoso e claro. Uma dieta pobre, um estilo de vida confuso e emoções não resolvidas podem facilmente atrapalhar o agni ao amortecer qualquer uma dessas qualidades em todo o sistema. Da mesma forma, nutrir as qualidades do agni tem o potencial de beneficiá-lo em todo o corpo. 
 
As funções do agni 
Agni governa: 
•Transformação 
•Digestão, absorção, assimilação 
•A formação de enzimas digestivas 
•Todas as atividades metabólicas 
•Força e vitalidade 
•Nutrição de tecidos 
•A produção de ojas, tejas e prana 
•Cor da pele, tez, brilho e brilho 
•A manutenção da temperatura corporal 
•Clareza mental 
•Inteligência 
•Percepção sensorial (especialmente percepção visual) 
•Fluxo de comunicação celular 
•Prontidão, afeição e entusiasmo pela vida 
•Coragem e confiança 
•Alegria, riso e contentamento 
•Discriminação, razão e lógica 
•Paciência, estabilidade e longevidade
 
Agni saudável 
Quando o agni é equilibrado, ele tende a suportar uma imunidade forte e uma vida longa e saudável. O agni balanceado também acrescenta uma certa fragrância às nossas vidas – um gosto pela vida que torna toda a experiência mais agradável. Os sinais cardeais de um agni equilibrado incluem: 
•Apetite normal
•Língua limpa (sem revestimento) 
•Apreciação adequada do sabor 
•Boa digestão, metabolismo equilibrado 
•Podemos digerir uma quantidade razoável de qualquer alimento sem problema 
•Eliminação adequada (e regular) 
•Completa ausência de náusea (ou apetite suprimido) 
•Facilmente mantém a homeostase
•Saúde estável 
•Peso constante 
•Pressão arterial normal 
•Boa imunidade 
•Sono suave 
•Alta energia, forte vitalidade 
•Excedente de ojas, tejas e prana 
•Mente calma 
•Percepção clara 
•Coragem, lucidez e inteligência 
•Alegria, otimismo e entusiasmo 
•Amor 
•Longevidade natural 
 
Agni prejudicada 
A força do agni é inevitavelmente afetada quando suas qualidades são silenciadas por uma dieta pobre, combinações impróprias de comida, um estilo de vida confuso, distúrbios emocionais, ou mesmo um clima úmido e chuvoso. Se pudermos aprender a reconhecer e lidar com os desequilíbrios do agni de forma relativamente rápida, os efeitos podem não ser duradouros. Caso contrário, eles certamente levarão a problemas de saúde e doença. Aqui estão alguns sinais importantes de que o agni não está operando com força total. 
•Distúrbios emocionais, com uma tendência crescente de medo, ansiedade, raiva, confusão, letargia ou depressão 
•Baixa energia, fraqueza ou fadiga 
•Apetite suprimido ou hiperativo 
•Indigestão: gases, inchaço, constipação, náusea, hiperacidez, fezes moles, sensação de peso, cansaço ou confusão mental após as refeições. 
•Uma tendência para o congestionamento nos seios da face, na linfa ou até mesmo na mente. 
 
Embora esses distúrbios possam ser de curta duração ou crônicos, o processo digestivo prejudicado inevitavelmente leva ao acúmulo de resíduos, à viciação dos doshas (vata, pitta e kapha) e à estagnação das emoções. Infelizmente, esses são fatores causais na formação de ama, um resíduo tóxico que é capaz de romper completamente nossa saúde e bem-estar. Agni perturbado pode manifestar-se de inúmeras maneiras, por isso é extremamente importante olhar além dos sintomas e abordar a causa raiz do problema. O tratamento apropriado dependerá de quais qualidades do agni estão mais prejudicadas, como elas se tornaram assim e onde, no corpo, o distúrbio é mais ativo. O primeiro e talvez o mais crítico passo para recuperar a saúde é começar a entender a natureza do seu desequilíbrio particular.

Mala

Como consequência dos alimentos que ingerimos e dos processos biológicos normais que ocorrem internamente, geramos diferentes tipos de materiais residuais, ou malas, que devem ser excretados. O Ayurveda geralmente reconhece dois tipos de malas: 

•ahara mala ou resíduos da comida 
•Dhatu mala ou resíduos dos tecidos 

Os ahara malas incluem fezes (purisha), urina (mutra) e suor (sveda). Estes são os três malas principais. Os dhatu malas incluem as várias secreções do nariz, olhos, ouvidos; ácido lático, dióxido de carbono e outros metabólitos da respiração celular; cabelos esfoliados, pele e unhas. Embora estes sejam todos produtos residuais, eles desempenham um papel na manutenção da saúde, desde que sejam normais em sua quantidade (pramana), qualidades (gunas) e função (karma). 

No entanto, se os malas se tornarem anormais em algum aspecto (ou seja, aumentados ou diminuídos), eles se tornam um fator na criação de doenças. Quando os dhatus e o malas se desequilibram, são chamados dushyas (sujos). Os malas são compostos predominantemente de diferentes elementos. As fezes são compostas principalmente de elemento terra; urina, principalmente água e fogo; suor, principalmente água. Claro que todos os cinco elementos estão contidos em cada mala. 

Como resultado de processos metabólicos sendo realizados no corpo, a essência dos alimentos ingeridos e os produtos residuais são constantemente formados. Se os produtos residuais não forem criados para além da essência, isto é, produtos benéficos que nutrem os tecidos, então o processo metabólico será prejudicado conduzindo finalmente à formação de tecidos disformes. Portanto, é preciso haver uma segregação apropriada da essência do alimento ingerido e do produto residual e sua excreção no momento apropriado para manter a saúde, porque se os resíduos não são jogados fora, podem nos intoxicar. 

Purish (fezes) 
É o resultado da defecação. É o produto residual do sistema digestivo humano, variando em aparência de pessoa para pessoa, dependendo do estado de todo o sistema digestivo, influenciado pela dieta e saúde. Normalmente as fezes são semissólidas, com um revestimento de muco. Qualquer discrepância causada em seu processo normal de defecação pode levar à constipação, diarréia, flatulência, sensação de peso ou dor. 

Mutra (Urina) 
A urina é outra importante excreção do corpo humano. Na verdade, é um produto residual líquido do corpo secretado pelos rins através de um fenômeno de filtração do sangue. No corpo humano, é excretado pela uretra. Qualquer desequilíbrio como aumento ou diminuição da urina pode levar a problemas como infecções urinárias, pedras nos rins, dor abdominal e vários distúrbios da bexiga. 

Sweda (Suor) 
Suar ou transpirar é conhecido como Sweda no Ayurveda. É basicamente um fluido que sai dos poros da pele e consiste principalmente de água, bem como vários sólidos dissolvidos. É basicamente um meio de termorregulação no corpo humano. Qualquer desequilíbrio na produção de suor pode causar prurido, infecções da pele, irritação, sensação de queimação do corpo ou redução da temperatura corporal.

O QUE É DIGESTÃO PARA AYURVEDA

Um dos ensinamentos do Ayurveda é que não somos o que comemos, mas sim o que digerimos. Essa brincadeira com o conhecido ditado “Você é o que você come” serve para ilustrar que a digestão é de extrema importância para nos mantermos saudáveis. No entanto, quanto realmente entendemos sobre o processo digestivo? O Ayurveda nos fornece uma visão detalhada que vai além do que é comumente conhecido. Algumas características-chave da digestão ayurvédica incluem a ideia de que todo o processo acontece em três estágios, que a digestão acontece em um nível sutil e físico, e que leva 36 dias para completar o processo digestivo todo. Aqui está um detalhamento com mais informações. 

Processo de três etapas 
A duração típica da digestão através do trato gastrointestinal é de cerca de 4 a 6 horas, dependendo do agni (fogo digestivo) e da constituição do indivíduo. Este processo é dividido em três etapas: 

Estágio 1 – Boca e parte superior do estômago. Esse estágio leva cerca de uma hora e meia e está associado a kapha, ou elementos da terra e da água. Nesse estágio, a saliva se mistura com a comida para torná-la úmida, espumosa e oleosa para que a comida possa ser bem digerida. A letargia por mais de uma hora após a ingestão de alimentos indica que este estágio da digestão está comprometido e que a comida permanece nesse estágio por muito tempo. 

Estágio 2 – No estômago e o intestino delgado. Esse estágio leva de 2 a 3 horas e está associado a pitta ou aos elementos fogo e água. É quando as secreções pancreáticas degradam ainda mais a comida. Azia e refluxo ácido estão relacionados a desequilíbrios nesta fase. 

Estágio 3 – intestino grosso (cólon). Este estágio leva cerca de 1 ½ – 2 horas e está relacionado a vata, que é o elemento ar e éter. Inchaço e gases indicam um problema com esta fase da digestão. 

Digestão bruta x sutil 
A maioria das pessoas está ciente do processo digestivo “bruto” em que a comida viaja através do trato gastrointestinal, separando os nutrientes dos resíduos. No entanto, geralmente não temos consciência de que, quando esse processo termina, o corpo continua com o processo digestivo “sutil”. Digestão sutil é o processo de nutrir cada camada de tecido do corpo, por sua vez. Uma vez que o alimento tenha completado o processo digestivo bruto, o lixo é levado ao trato gastrointestinal para ser removido do corpo, e o que resta é chamado de ahara rasa, ou fluido nutriente. Este fluido nutriente é então levado para cada uma das camadas de tecido -dhatus -, que são nutridos na seguinte ordem: 

•Plasma (rasa) 
•Sangue (rakta) 
•Músculo (mamsa) 
•Gordura (meda) 
•Ossos (asthi) 
•Medula óssea / tecido nervoso (majja) 
•Reprodutiva (shukra / artava) 

Uma maneira de descrever como a digestão sutil nutre essas camadas de tecido é através da analogia da irrigação; um canal de irrigação cheio de água nutre cada fileira de canteiros, com a porção mais próxima recebendo água primeiro e a porção no final recebendo água por último. Da mesma forma, o fluido nutritivo é transportado de um tecido para o outro em sua ordem correta. No entanto, às vezes, uma camada de tecido é esgotada e precisa de mais nutrientes. Neste caso, o processo normal é contornado e a camada de tecido com maior necessidade será nutrida primeiro. 

Você é o que você digeriu. . . 36 dias atrás 

De acordo com a Ayurveda, todo o processo de digestão leva cerca de 36 dias, terminando com a criação de ojas – o subproduto mais refinado da digestão. Para lembrarmos: Ojas é a principal reserva de energia do corpo e a sede do nosso sistema imunológico. Ele protege a vida, nos dá força, controla nossos batimentos cardíacos e mantém o equilíbrio de todos os nossos tecidos. O processo de alimentação da nossa comida atravessa cada uma das nossas sete camadas de dhatus, fornecendo os nutrientes de que cada camada necessita (número de dias após a ingestão): 

Dias 1–5: formação de plasma sanguíneo, soro e líquido linfático 
Dias 6–10: formação de novos glóbulos vermelhos 
Dias 11-15: formação de tecido muscular 
Dias 16 a 20: formação de tecido adiposo 
Dias 21–25: formação de ossos 
Dias 26–30: formação de medula óssea e tecido nervoso 
Dias 31-35: formação de espermatozóide e óvulo 
Dia 36: formação de ojas 

O corpo é uma entidade, com sistemas aparentemente perfeitos para nos manter saudáveis e vibrantes. O Ayurveda nos ensina que o processo digestivo é complexo e, sem dúvida, crucial para a nossa saúde e bem-estar. Então, cuide do seu agni. Aprenda como funciona e por quê. E descubra o que você pode fazer para mantê-lo fortalecido.

Dravya

Dravya é uma palavra sânscrita que significa “substâncias” ou “entidades”. No Ayurveda, a dravya pode ser uma droga ou outra substância usada para tratar uma doença ou para promover a saúde. O dravya tem propriedades (guna) e ação (karma). Dravya é, portanto, qualquer mistura ou substância aplicada externamente ou ingerida para tratar doenças, preservar a saúde ou aliviar a dor. Dravya é composto de cinco categorias eternas de ser, conhecidas como astikayas. 

São elas: 
•Dharma – uma virtude moral e aquilo que permite que os seres se movam
•Adharma – o meio de descanso e o que permite que os seres parem de se mover 
•Akasha – o espaço em que tudo existe. 
•Pudgala – matéria 
•Jiva – a alma e 
•Kala, ou tempo, foi adicionado como uma sexta categoria de dravya pela seita Digambara. 

Segundo Vaisheshika, dravya refere-se a nove substâncias. Cinco das substâncias dravya são elementos físicos: prthivi (terra), ap (água), tejas (fogo), vayu (ar) e akasha (éter). As quatro substâncias restantes que compõem a dravya são kala (tempo), dik (espaço), Atman (Alma ou o EU universal) e manas (mente ou órgão interno).

Rasa

De acordo com o Ayurveda, é extremamente importante provar nossos alimentos, nossas ervas – nossas vidas. Rasa, a palavra em sânscrito para gosto, tem vários significados poderosos, entre eles: experiência, entusiasmo, suco, plasma (como em rasa dhatu) e essência. Rasa é, de uma maneira muito real, a essência da vida e literalmente afeta todos os aspectos do nosso ser – da estrutura e fisiologia, diretamente ao nosso estado geral de mente e consciência. 
 
O Ayurveda vê a rasa, ou sabor, como uma ferramenta terapêutica tremendamente poderosa que determina não apenas como experimentamos nossa comida, mas, em última análise, o sabor geral de nossa existência. O gosto é atribuído a um significado muito mais profundo na Ayurveda do que estamos acostumados no ocidente; considera-se criticamente importante para determinar o efeito que vários alimentos, especiarias, ervas terapêuticas e experiências terão em nosso estado de equilíbrio – corpo, mente e espírito. 
 
O Ayurveda reconhece seis gostos, cada um dos quais tem um papel vital a desempenhar em nossa fisiologia, saúde e bem-estar. Os sabores doce, ácido, salgado, picante, amargo e adstringente se combinam de inúmeras maneiras para criar a incrível diversidade de sabores que encontramos ao longo de nossas vidas. Uma mesma substância pode ter um sabor diferente, dependendo de onde é cultivada, quando é colhida, se é armazenada ou conservada, se e como é cozida ou processada, e quão fresca ou qual é a sua idade. 
 
Assim, o sabor pode nos dizer muito, não apenas sobre o que estamos ingerindo, mas também sobre as qualidades físicas e energéticas que estamos obtendo como resultado. De muitas maneiras, o paladar é uma representação viva da experiência: a das substâncias que absorvemos e a nossa, à medida que as experimentamos. O Ayurveda nos ensina a reconhecer plenamente e apreciar a variedade de sabores que encontramos ao longo do dia. Só então podemos aproveitar o potencial do sabor para criar uma mudança positiva em nossas mentes e corpos. 
 
Cuidar da experiência do gosto também nos ajuda a entender melhor os seis gostos, a cultivar um relacionamento mais profundo com cada um deles e a começar a adaptar nossos hábitos de acordo com o que aprendemos. Um dos ensinamentos fundamentais da tradição ayurvédica é que tudo no universo é composto de cinco elementos – terra, água, fogo, ar e éter. Os gostos não são diferentes; cada um deles contém todos os cinco elementos. Dito isto, cada gosto é predominantemente composto por dois elementos. 
 
•doce (madhura) – terra + água 
•ácido (amla) – terra + fogo 
•salgado (lavana) – água + fogo 
•picante (katu) – fogo + ar 
•amargo (tikta) – ar + éter 
•astringente (kashaya) – ar + terra 
 
A partir desses primórdios elementares, a experiência do gosto inicia uma complexa cascata de influências que afeta todos os aspectos do organismo mente-corpo. Para cada substância, esse mosaico inclui:
 
•Rasa, ou sabor (um gosto único ou uma combinação de gostos diferentes). Efeito agravante ou pacificador em cada um dos doshas (vata, pitta, kapha) 
•Virya, ou potência (se a substância é por natureza quente ou fria) 
•Vipaka, ou efeito pós-digestivo (afeta, excreta e nutre as células individuais) 
•Prabhava, ou uma ação imprevisível, única para uma determinada substância ex: ghee que tem potência “fria” e, no entanto, acende o fogo digestivo 
•Gunas, ou qualidades associadas 
•Afinidade por órgãos ou tecidos específicos 
•Direção de movimento dentro do corpo 
•Influência emocional 
 
A combinação de todos esses fatores pode afetar uma ampla gama de respostas em diferentes indivíduos. Embora cada substância seja certamente única, cada um dos seis gostos tende a exercer uma influência um tanto previsível em nossa fisiologia.
 
Doce 
O sabor doce, como um elemento naturalmente atraente de nossas dietas, requer pouca explicação. É o sabor dos açúcares, como glicose, sacarose, frutose, maltose e lactose, e pode ser encontrado em muitos carboidratos, gorduras e proteínas. Mas o sabor adocicado costuma ser mais sutil do que poderíamos imaginar inicialmente. Por exemplo, arroz e leite são predominantemente doces. 
 
Pacifica: vata e pitta 
Agrava: kapha 
Elementos primários: terra e água 
Virya (potencia): frio 
Vipaka (efeito pós-digestivo): doce
Gunas (qualidades associadas): pesado, frio, oleoso, macio, relativamente difícil de digerir, aterramento, construção, nutrição. 
Emoções positivas associadas: amor, partilha, compaixão, alegria, felicidade e o mais satívico dos sabores 
Emoções do excesso: apego, ganância, possessividade 
Localização na língua: ponta da frente 
Afinidade por órgãos: tireóide, pulmões superiores 
Tecidos mais afetados: todos os 7 tecidos (dhatus) 
Sentido de movimento: descendente, estabilizador (ativa apana vayu) 
Ações adicionais: umedecedor, laxante, diurético, emoliente, antiespasmódico, expectorante, antiinflamatório 
 
Exemplos – substâncias que ilustram o sabor doce
Frutas: bananas, melão, tâmaras, figos, mangas, melões, ameixas 
Legumes: beterraba, cenoura (cozida), pepino, azeitonas, batata doce 
Grãos: de milho, arroz, trigo 
Grãos: grão de bico, lentilhas (vermelho), feijão mungo, feijão branco e tofu 
Nozes e sementes: amêndoas, castanha de caju, coco, sementes de abóbora 
Leite , ovos e ghee 
Carne bovina, búfalo, porco, salmão 
Adoçantes: todos 
Temperos e especiarias: manjericão, folha de louro, cardamomo, canela, coentro, erva-doce, hortelã, noz-moscada, açafrão, estragão, baunilha 
 
Benefícios 
O sabor doce beneficia as membranas mucosas em todo o corpo, incluindo aquelas que revestem a boca, os pulmões, o trato gastrointestinal, o trato urinário e o sistema reprodutivo. Esse sabor é fortalecedor, nutritivo, energizante, tônico e reconfortante para a mente. Com efeito, o sabor adocicado é frequentemente usado para aumentar a clareza e a consciência nos domínios espirituais. Também alivia a sede, acalma as sensações de queimação e produz um efeito refrescante contínuo no corpo. O sabor doce beneficia a pele, o cabelo, acelera a reparação de feridas, é agradável aos sentidos e empresta qualidades melodiosas para a voz. Também aumenta a integridade do sistema imunológico, melhora a longevidade e, finalmente, aumenta o ojas. 
 
Em excesso 
É tentador exagerar no gosto doce porque é tão agradável e, de fato, viciante. No entanto, quando usado em demasia, o sabor doce pode suavizar o fogo digestivo, diminuir o apetite, aumentar o muco, promover o congestionamento, resfriados e tosses, ou causar ama (toxinas), febre, problemas respiratórios, umidade, inchaço dos gânglios linfáticos, tumores, edema, flacidez aumento de peso, preguiça, desejo excessivo de sono, vermes, infecções fúngicas, excesso de “candida albicans”, obesidade e diabetes. O excesso de sabor doce também pode contribuir para sentimentos como desejos desmedidos e ganância. 
 
Contra-indicações 
O sabor doce pode exacerbar a situação se houver excesso de gordura, excesso de kapha ou um alto nível de ama (toxicidade) no sistema. 
 
Exceções 
Embora os feijões, a cevada e o mel tenham um sabor predominantemente doce, eles não tendem a aumentar o kapha e, na verdade, ajudam a equilibrar o excesso de umidade.
 
Sabor Ácido
O sabor ácido tende a ser bastante familiar para nós. É principalmente o resultado de ácidos como ácido cítrico, ácido lático, ácido málico, ácido oxálico e ácido ascórbico em nossos alimentos. Frequentemente nos “enrugamos” quando nos deparamos com o gosto ácido e isso imediatamente umedece a boca e aumenta o fluxo de saliva. 
 
Pacifica: vata 
Agrava: pitta e kapha 
Elementos primários: terra e fogo 
Virya (potencia): quente 
Vipaka (efeito pós-digestivo): ácido 
Gunas (qualidades associadas): líquido, leve, oleoso, quente 
Emoções positivas associadas: apreciação, compreensão, discriminação, compreensão 
Emoções do excesso: crítica, ciúme, rejeição, ódio, agitação, egoísmo, hiperatividade 
Localização na língua: bordas frontais, ao longo da curva cônica 
Afinidade por órgãos: pulmões 
Tecidos mais afetados: todos os tecidos (dhatus), exceto reprodutiva 
Sentido de movimento: movimento para baixo (ativa apana vayu) 
Ações adicionais: umedece, promove volume, retém fluido nos tecidos, emoliente, laxativo e promove o fluxo saudável de bile. 
 
Exemplos – substâncias que ilustram o gosto ácido 
Frutas: toranja, limão, lima, passas, tamarindo 
Picles de legumes e tomates 
Pães de grãos 
Laticínios: ovos, manteiga, queijo, creme de leite, iogurte 
Álcool, vinagre, alimentos mais fermentados
Temperos e especiarias : suco de limão, alho e salgados 
Benefícios
O sabor ácido é digestivo, por isso estimula o apetite, aumenta as secreções salivares, aumenta a secreção de enzimas digestivas e estimula o metabolismo em geral. Também expele o excesso de vata, move a estagnação no fígado, estimula o fluxo de bile e promove a função hepática. O gosto ácido desperta a mente e ajuda a coalescer a energia dispersa. É antiflatulento, antiespasmódico, energizante, refrescante, satisfatório, nutritivo para o coração. As frutas ácidas são geralmente ricas em vitamina C e são consideradas ervas antioxidantes, rejuvenescedoras e tônicas. 
Em excesso
Se usado em demasia, pode levar à sensibilidade nos dentes, orelhas e olhos. Pode secar as membranas mucosas, puxar os tecidos para dentro, desestabilizar o sangue, destruir o sêmen e causar congestão, erupção cutânea, dermatite, acne, eczema, psoríase, prurido, sede excessiva, hiperacidez, azia, úlceras e até mesmo colite ulcerativa. Também pode levar à sede excessiva, tontura, febre, diarreia, anemia, edema ou tosse úmida e umidade nos pulmões. 
Contra-indicações
Pode exacerbar a situação se houver coceira, excesso de calor, excesso de congestão ou se houver muito pitta no sangue (rakta dhatu). É melhor evitá-lo em condições de calor e umidade ou com problemas na pela de qualquer tipo. 
Exceções
Amalaki, romã e limas não agravam o pitta porque estão esfriando e tendem a reduzir o calor e a inflamação.
Sabor Salgado
Este sabor é quase exclusivamente derivado do sal e é prontamente identificado em nossas dietas. 
 
Pacifica: vata 
Agravantes: pitta e kapha 
Elementos primários: água e fogo 
Virya (potência): quente (embora o mais suave) 
Vipaka (efeito pós-digestivo): doce 
Gunas (qualidades associadas): pesado, oleoso, quente 
Emoções positivas associadas: coragem, confiança, entusiasmo, interesse 
Emoções do excesso: tentação, vício, apego, ganância, possessividade, irritabilidade 
Localização na língua: bordas traseiras da língua 
Afinidade por órgãos: rins 
Tecidos mais afetados: plasma, sangue, músculo, gordura e tecido nervoso 
Direção do movimento: para baixo (ativa apana vayu) 
Ações adicionais: antiespasmódico, aperitivo, expectorante, antiflatulento, umedecedor, laxante 
 
Exemplos – Substâncias que ilustram o sabor salgado 
Legumes: aipo e algas marinhas 
Queijo: cottage e coalho 
Atum e peixes 
Especiarias e temperos: sal de mesa, sal marinho, sal grosso e molho de soja
 
Benefícios 

O sabor salgado aumenta a salivação e apoia a digestão, a absorção, e os processos de assimilação e eliminação. Promove o crescimento, apoia a força muscular, umedece o corpo e ajuda a manter o equilíbrio de eletrólitos da água. Ele também é energizante, nutritivo e promove o aterramento. Calmante para o sistema nervoso e – porque suaviza os tecidos – ajuda a proteger contra tumores. O sabor salgado nutre o plasma (rasa dhatu), limpa os canais do corpo, previne a rigidez e aumenta a potência do espírito. Como agente intensificador, ajuda a combater o torpor, a depressão e a falta de criatividade em nossas vidas.

Em excesso 

Um pouco de sal aumenta o sabor de outros alimentos, mas sendo tão intenso (e viciante) como é, o sal também pode facilmente ofuscar outros sabores por completo, por isso é importante encontrar um equilíbrio usando sal em pequenas quantidades. Se usado em demasia, o sabor salgado pode perturbar todos os doshas. Isso se dá por conta do sódio que promove a retenção de água, o que pode levar ao espessamento e estreitamento dos vasos sanguíneos, o excesso de sede, inchaço, edema, ou pressão arterial elevada. O excesso de sal também agrava as condições da pele, dificuldade sensorial / percepção e pode causar sensações de queimação, desmaios, rugas, cabelos grisalhos, calvície, úlceras, inflamação intestinal, distúrbios hemorrágicos, hiperacidez, vômitos e infertilidade. 
 
Contra-indicações 
O gosto salgado pode exacerbar a situação no caso de hipertensão, alto pitta, úlceras, ou, se houver, desequilíbrios no sangue.
 
Exceções 
O sal mineral natural, ou sal de rocha é muito mais harmonioso para o pitta do que outras formas de sal. Sua suavidade e seu conteúdo mineral diversificado ajudam a minimizar os riscos potenciais de seu uso em excesso. Esse tipo de sal é altamente considerado na tradição ayurvédica como um sal superior. Quando usados externamente, todos os tipos de sal ajudam a extrair a umidade e toxinas do corpo, e podem ajudar a reduzir o inchaço e a inflamação, ou ajudam a curar feridas.
 
 
Sabor Picante
O sabor picante é quente e seco e pode ser encontrado em alimentos como ervas e especiarias. Geralmente é criado pela presença de óleos voláteis aromáticos, resinas e glicosídeos de mostarda que estimulam os tecidos e terminações nervosas da boca com uma sensação de calor. 
 
Pacifica: kapha 
Agrava: pitta e vata 
Elementos primários: fogo e ar 
Virya (potencia): quente (o mais quente dos gostos) 
Vipaka (efeito pós-digestivo): pungente 
Gunas (qualidades associadas): quente, seco, leve, afiado (penetrante), aromático 
Emoções positivas associadas: entusiasmo, excitação, curiosidade, clareza, vitalidade, vigor, concentração e expansividade 
Emoções do excesso: irritabilidade, agressividade, raiva, competitividade, inveja 
Localização na Língua: região central da língua 
Afinidade por órgãos: estômago, coração 
Tecidos mais afetados: sangue e tecidos reprodutivos 
Direção do movimento: para cima, iluminando (ativa o udana vayu)
Ações adicionais: afinamento do sangue, antiespasmódico, antiparasitário, antihelmíntico (desparasitação), carminativo, diaforético, vasodilatador 
 
Exemplos – substâncias que ilustram o sabor picante
Pimentas, legumes, alho, alho-poró, cebola, couve-rábano, mostarda, rabanetes, nabos, espinafre cru 
Grão de trigo mourisco, soletrado 
Sementes de mostarda e oleaginosas 
Temperos e especiarias: especialmente pimenta preta, cardamomo, pimenta caiena, cravo, gengibre, sementes de mostarda e páprica 
 
Benefícios
O sabor picante aquece o corpo, limpa a boca, clarifica os órgãos sensoriais, aprimora outros sabores, acende o fogo digestivo e melhora a digestão, a absorção e a eliminação. É extremamente importante para equilibrar o excesso de kapha porque é capaz de aquecer, secar e eliminar o kapha do corpo, eliminando também a ama e o muco, clareando os seios da face, quebrando os coágulos e apoiando a eliminação do excesso de gordura. O sabor picante é estimulante, revigorante, penetrante e efetivamente limpa a umidade, a estagnação, e congestão. Também aumenta a circulação, estimula a transpiração, elimina a coceira, elimina as toxinas, limpa o sangue e os músculos, reduz o colesterol, abre os canais internos e elimina os bloqueios. 
 
Em excesso
Embora a natureza aquecida do sabor picante seja inicialmente boa para vata, seus efeitos a longo prazo são extremamente ressecantes e, portanto, geralmente agravantes para vata, e podendo levar a tonturas, tremores, insônia e dores musculares. O excesso de sabor picante pode matar espermatozoides e óvulos e pode levar a debilidade sexual tanto em homens quanto em mulheres. Também pode causar queimaduras, asfixia, tontura, desmaios, soluços, problemas de pele, sangramento, inflamação, sede excessiva, fadiga, náuseas, azia, diarreia, constipação e colite. Os excessos no paladar pungente também podem ser cancerígenos e causar confusão mental, mal-estar, depressão, emagrecimento e debilidade. 
 
Contra-indicações
O sabor picante pode exacerbar a situação se houver excesso de calor, excesso de acidez ou deficiência no sistema reprodutivo (shukra dhatu). 
 
Exceções
Embora predominantemente picante no sabor, gengibre e o alho cozido não tendem a agravar vata; na verdade, eles pacificam vata porque melhoram a digestão e ajudam a eliminar os gases intestinais. Da mesma forma, cravo, coentro, cominho e erva-doce – embora ervas com sabor pungente – não tendem a agravar pitta quando usados com moderação.
 
Sabor Amargo
O gosto amargo é bastante familiar. Mais frequentemente é um sabor evitado, embora algumas pessoas realmente gostem. Por mais que não seja um sabor popular, quando usado apropriadamente, tem inúmeros benefícios terapêuticos. 
 
Pacifica: pitta e kapha 
Agrava: vata 
Elementos primários: ar e éter 
Virya (potencia): frio (o mais frio dos gostos ) 
Vipaka (efeito pós-digestivo): pungente 
Gunas (qualidades associadas): frio, leve, seco
Emoções positivas associadas: clareza, introspecção, autoconsciência, distanciamento saudável das coisas mundanas 
Emoções do excesso: cinismo, rejeição, tédio, isolamento, separação, solidão 
Localização na língua: bordas do meio nos lados esquerdo e direito (e uma pequena faixa no meio da língua, conectando essas bordas) 
Afinidade por órgãos: pâncreas, fígado, baço 
Tecidos mais afetados: plasma, sangue, tecido adiposo, nervoso e reprodutivo 
Direção do movimento: descendente (ativa apana vayu) 
Ações adicionais: estimula o sistema nervoso, reduz a gordura, reduz a medula óssea, inibe a energia sexual, é antipirético (reduz a febre), antiinflamatório, antibacteriano, antiviral, promove o fluxo saudável de bile, laxante, antihelmíntico (desparasitação) e diurético. 
 
Exemplos – substâncias que ilustram o sabor amargo
Legumes: melão amargo, raiz de bardana, folhas verdes (como couve e folhas verdes escuras em geral, berinjela, quiabo, jiló e alcachofra 
Sementes de gergelim, óleo de gergelim, café, chocolate amargo 
Temperos: cominho, endro, feno-grego e açafrão. 
 
Benefícios
O gosto amargo é profundamente purificador para o corpo porque raspa as gorduras e toxinas. Melhora todos os outros gostos, alivia a sede, estimula um apetite saudável, mata os germes e limpa os parasitas do trato gastrointestinal. Ele serve para limpar o calor, secar ama, limpar o congestionamento, purificar o sangue, limpar e sustentar o fígado, enquanto drena o excesso de umidade do corpo. Ele pode reduzir as tendências de desmaio e também beneficia a pele, aliviando a coceira e o inchaço. Também tonifica os músculos e a pele, alivia os gases intestinais, promove o peristaltismo e serve como um tônico digestivo – estimulando o fogo digestivo com suas qualidades secas e leves. O sabor amargo aumenta até mesmo a liberação de secreções digestivas e enzimas digestivas. 
 
Em excesso
Se usado demais, o gosto amargo pode induzir à náusea, enfraquecer os rins e os pulmões (devido à extrema qualidade da secagem), esgotar os tecidos e causar boca seca, debilidade, perda óssea, osteoporose e redução da produção de espermatozóides. Pode causar emagrecimento, excesso de frio, secura extrema, constipação, mal-estar, confusão, tontura (como estar ausente), desorientação ou perda de consciência. O excesso de sabor amargo também tem a capacidade de secar o ojas. 
 
Contra-indicações
O sabor amargo pode exacerbar a situação se houver vata elevado no sistema, excesso de qualidade fria, extrema secura ou aspereza, emagrecimento, ou uma deficiência grave de qualquer tipo. O gosto amargo também deve ser minimizado durante a gravidez. 
 
Exceções
Enquanto uma erva amarga, o guduchi tem um efeito pós-digestivo doce e, portanto, é tanto um tônico quanto um afrodisíaco.
 
 
Sabor Adstringente
O sabor adstringente é um sabor de ressecamento que geralmente é produzido por taninos na casca, folhas e cascas externas de frutas e árvores. Ele faz com que as membranas mucosas da boca se contraiam e resulta em uma secura imediata, calcária (às vezes até sufocante). O sabor adstringente é frequentemente complementado pelos sabores doces ou azedos.
 
Pacifica: pitta e kapha 
Agrava: vata 
Elementos primários: ar e terra 
Virya (potencia): fria (o mais suave dos gostos frios) 
Vipaka (efeito pós-digestivo): pungente 
Gunas (qualidades associadas): seco, frio, pesado 
Emoções positivas associadas: estável, unificado, coletado, aterrado 
Emoções do excesso: medo, ansiedade, nervosismo, depressão, fixação, rigidez, ressentimento, aspereza 
Localização na língua: região central na parte de trás da língua 
Afinidade por órgãos: cólon 
Tecidos mais afetados: plasma, sangue, músculo e tecidos reprodutivos 
Direção de movimento: para dentro 
Ações adicionais: tonifica os tecidos, reduz a sudorese, resfria o excesso de calor, antiinflamatório, hemostático (para o sangramento), adstringente, vasoconstritor 
 
Exemplos – substâncias que ilustram o sabor adstringente 
Frutas: maçãs, bananas (verdes), amoras e romã 
Legumes: brotos de alfafa, abacate, brócolis, couve de bruxelas, repolho, cenoura (crua), couve-flor, feijão verde, alface, ervilha, batata e a maioria dos vegetais crus 
Massa de grãos (trigo), centeio 
Legumes: a maioria dos feijões 
Carne de frango (magra) e carne de cervo. 
Especiarias e temperos: manjericão, folha de louro, cominho, coentro, endro, erva-doce, manjerona, noz-moscada, orégano, salsa, sementes de papoula, alecrim, açafrão e baunilha.
 
Benefícios 
O sabor adstringente absorve o excesso de umidade, impede o vazamento de fluidos, inibe o sangramento ao promover a coagulação, limpa as membranas mucosas, descongestiona, raspa a gordura, melhora a absorção e ajuda a prender as fezes. Sua tendência é se interiorizar ajudando a comprimir e reter as fezes. Une os tecidos, promovendo a coesão corporal. Essa mesma qualidade torna o sabor adstringente uma ferramenta muito eficaz no combate ao excesso de sangramento, suor, diarreia, leucorreia, etc. Similarmente, seu efeito de ligação dá tom aos tecidos flácidos e soltos e pode corrigir desequilíbrios como o prolapso. O gosto adstringente também ajuda a curar feridas e evitar tosses. 
 
Em excesso 
Se usado em demasia, o sabor adstringente pode criar boca seca, dificuldade para falar, asfixia, espasmos, sensações de constipação nos intestinos, gases, inchaço, distensão e constipação. Pode causar emagrecimento, convulsões, paralisia de Bell e derrame. O excesso de sabor adstringente também pode sufocar o fogo digestivo, causar sede, rigidez, coagulação no sangue, estagnação na circulação, espasmos cardíacos, insônia, estagnação emocional, mal-estar e depressão. Além disso, pode reduzir a libido e diminuir a contagem de espermatozoides. 
 
Contra-indicações 
O gosto adstringente pode agravar a situação se houver vata elevado no sistema, constipação ou bloqueios de qualquer tipo no corpo. 
 
Exceções 
Haritaki, embora muito adstringente, é quente e tem um efeito pós-digestivo doce. Suporta o movimento saudável do intestino e é um tônico importante para vata.
 
 

Os sabores e os doshas

Vata é composto principalmente dos elementos ar e éter, que o tornam leve, frio, seco, áspero, móvel, sutil e claro. Devido a estas características, vata é equilibrado pelos sabores doce, azedo e salgado e agravado pelos sabores picantes, amargos e adstringentes. A seguir, você encontrará uma explicação mais profunda de como cada gosto afeta especificamente vata. 
 
O sabor doce equilibra vata porque: 
•É composto principalmente dos elementos terra e água. É pesado, oleoso, úmido, macio, aterrado, nutritivo e construtivo. 
•Tem um efeito laxante suave e pode ajudar a combater a tendência de vata à constipação. Sua natureza antiespasmódica ajuda a acalmar contrações, tremores e outros desequilíbrios neuromusculares. 
•Nutre todos os tecidos do corpo, reabastece e rejuvenesce. 
•Ativa a energia descendente em movimento no corpo, que funde e estabiliza vata. 
•Tem afinidade com as membranas mucosas e pode ajudar a afastar os efeitos secos e agressivos da vata nesses tecidos. 
•O sabor adocicado deve ser minimizado quando há excesso de muco, excesso de peso, excesso de gordura e excesso de sono – desequilíbrios que não são tipicamente associados a vata, mas que ainda podem estar presentes em pessoas com constituições ou desequilíbrios de vata. 
 
O sabor ácido equilibra vata porque: 
•É composto principalmente dos elementos terra e fogo, que o tornam líquido, oleoso, umedecido e quente
•Tem uma afinidade pela maioria dos tecidos do corpo 
•É digestivo e suporta o apetite, o metabolismo geral, a eliminação adequada e também ajuda especificamente a eliminar o gás 
•Tem uma capacidade única de limpar a secura e de expelir o excesso de vata. 
•Promove apreciação, compreensão, discriminação – atributos mentais que apoiam vata. 
•Desperta a mente e ajuda a aglutinar a energia dispersa 
•O gosto ácido deve ser minimizado em casos de congestionamento, excesso de calor, coceira, doenças da pele e desequilíbrios no sangue. Embora esses desconfortos não sejam tipicamente associados a vata, eles ainda podem estar presentes em pessoas com constituições ou desequilíbrios de vata. O gosto ácido também é mais bem minimizado quando o clima é extremamente quente e úmido 
 
O sabor salgado equilibra vata porque: 
•É composto principalmente de elementos de água e fogo, o que os torna pesados, oleosos, umedecidos e quentes. 
•Suporta apetite, digestão, absorção, assimilação, eliminação e também é antiflatulento. 
•É nutritivo e promove o crescimento, a força muscular e a flexibilidade. 
•Ajuda a cultivar coragem e confiança e pode, portanto, contrapor a tendência de vata ao medo. 
•É antiespasmódico e tem afinidade com o sistema nervoso, onde muitos desequilíbrios de vata se manifestam. 
•Ele umedece o corpo e ajuda a manter o equilíbrio eletrolítico da água, que é facilmente perturbado pelo excesso de vata. 
•Sua energia descendente estabiliza vata. 
•O sabor salgado deve ser minimizado em casos de retenção de água, úlceras, hipertensão, sangue agravado ou excesso de pitta – desequilíbrios que podem não estar associados a vata, mas que ainda podem estar presentes em pessoas com constituição ou desequilíbrios de vata.
 
O sabor picante agrava vata porque: 
•é composto principalmente dos elementos fogo e ar, que o tornam quente, seco, leve e afiado. 
•Está secando extremamente. 
•É excepcionalmente estimulante e pode causar tremores, insônia e dores musculares. 
•Pode esgotar os tecidos reprodutivos. 
•Pode exacerbar desequilíbrios de vata, como confusão mental, tontura, desmaios, sede excessiva, mal-estar, fadiga, emagrecimento e constipação. 
•Pode ampliar o alto nível de excitação, clareza e expansividade do vata, o que pode causar esgotamento, leveza ou tontura. 
•Sua energia ascendente em movimento e relâmpago tende a desestabilizar vata. 
 
O sabor amargo agrava vata porque: 
•É composto principalmente dos elementos ar e éter (os mesmos elementos que predominam vata) e é muito frio, leve e seco. 
•Amplia a tendência de vata para o frio extremo. 
•Seca os tecidos e drena a umidade do corpo. 
•Ele tende a ser esgotado. 
•Pode exacerbar condições de vata como boca seca, emagrecimento, fraqueza, constipação, perda óssea, debilidade sexual e ojas depauperado. 
•Pode desencadear confusão, tontura e mal-estar. 
•Pode exacerbar a tendência de vata em relação a sentimentos de tédio, separação, isolamento e solidão. 
 
O sabor adstringente agrava vata porque: 
•É composto principalmente dos elementos ar e terra. 
•É seco, frio e pesado (fazendo com que seja especialmente exigente a digestão delicada do vata)
•Tem uma afinidade específica pelo cólon – a sede de vata – e suas qualidades são inerentemente provocadoras. 
•Ele tende a ser esgotado. 
•Pode exacerbar condições de vata como gás, inchaço, constipação, boca seca, dificuldade para falar, rigidez, espasmos, emagrecimento, insônia e debilidade sexual. 
•Pode desencadear constrição física e emocional e levar à estagnação. 
•Pode exacerbar a tendência de vata de se sentir disperso, desorganizado ou mesmo com medo, ansioso e nervoso. 
 
Vata e o sabor da experiência 
Não é coincidência que usemos alguns dos seis gostos para descrever diretamente experiências ou tendências emocionais. Nós associamos compaixão, gentileza e natureza carinhosa ao sermos doces. Temos uma compreensão mútua de como a personalidade de um indivíduo salgado pode parecer, e a maioria de nós pode imaginar alguém que se tornou excepcionalmente amargo ao longo dos anos. Como o próprio vata é sutil, ele tende a responder muito bem quando fazemos ajustes positivos nas energias que nos cercam. 
 
Quando se trata de equilibrar vata, há várias mensagens importantes sobre o sabor da sua vida, relacionamentos e experiências. Em geral, relacionamentos e experiências que são infundidos com doçura são profundamente pacificantes para vata. Talvez seja uma massagem, levar algum tempo para estar totalmente presente com um bebê ou um ente querido, uma noite romântica com seu parceiro, uma conversa animadora com um amigo próximo ou uma prática amorosa de autocuidado que você faz regularmente. 
 
Há muitas maneiras de fazer isso, mas buscar intencionalmente um pouco de doçura extra em nossa experiência diária pode apoiar vata em um nível muito profundo. Os tipos de vata são frequentemente atraídos pelos amigos e entes queridos que são o sal da terra e pessoas que estão solidamente ancoradas, consistentes, confiáveis e estáveis. Essas qualidades servem para contrabalançar as qualidades móveis, sutis e claras de vata.
 
Vata também pode se beneficiar de estar perto de um pessoa salgada que exala coragem, confiança ou entusiasmo duradouro, porque essas qualidades contrabalançam a tendência de vata à ansiedade, ao medo e ao tédio. Se você não tem um amigo ou parente que incorpore essas características, simplesmente se concentre no cultivo de coragem em si mesmo. Isso pode ser muito útil. Por outro lado, um humor seco, experiências secas e amargura em geral tendem a agravar vata. 
 
Isso incluiria quaisquer elementos de sua vida que o deixem se sentindo isolado, separado, cínico ou entediado, porque eles têm o potencial de elevar a natureza fria e seca de vata. Lembre-se, o Ayurveda vê o sabor – da experiência sensorial mais tangível à influência energética mais sutil – como uma ferramenta terapêutica essencial. Embora cada um dos seis sabores tenha um papel vital a desempenhar, a combinação perfeita de gostos pode variar muito de pessoa para pessoa. 
 
Quando se trata de equilibrar vata, os sabores doce, ácido e salgado tendem a ser os mais favoráveis, enquanto um excesso dos sabores picante, amargo e adstringente pode ser decididamente agravante.
 
 
Pitta
É composto principalmente dos elementos fogo e água, que o tornam leve, afiado, quente, oleoso, líquido, amplo e sutil. Por causa dessas características, pitta é equilibrado pelos gostos adocicado, amargo e adstringente e agravado pelos gostos ácidos, salgados e picantes. 
 
O sabor doce equilibra pitta porque: 
•Ele é composto principalmente dos elementos terra e água e é resfriado, pesado, macio, calmante, aterrado e nutritivo. 
•Ele tem um efeito prolongado de resfriamento e antiinflamatório no corpo, o que compensa a tendência de pitta para o excesso de calor e inflamação. 
•Alivia o excesso de sede e acalma as sensações de queimadura.
•Ajuda a acalmar e rejuvenescer importantes locais de pitta, como a pele e o cabelo. 
•Ativa a energia descendente em movimento no corpo, aterrando a leveza de pitta e redirecionando sua tendência a se elevar no corpo. 
•Tem um efeito calmante na mente focalizada de pitta. 
•O sabor adocicado deve ser minimizado quando há excesso de muco, excesso de peso, excesso de gordura e excesso de sono – esses desequilíbrios não são tipicamente associados ao pitta, mas podem estar presentes em pessoas com constituições ou desequilíbrios de pitta. 
 
O sabor amargo equilibra pitta porque: 
É composto principalmente dos elementos ar e éter e é extremamente frio e seco. Sua qualidade fria alivia a sede, reduz as febres e ajuda a eliminar o excesso de calor e inflamação. Seca os tecidos e combate a oleosidade em excesso. Limpa e purifica o sangue e o fígado – importantes locais de pitta. Beneficia a pele e alivia os desequilíbrios comuns da pitta, como ardor, prurido ou inchaço. O gosto amargo deve ser minimizado em casos de vata elevado, excesso de frio, extrema secura ou aspereza, emaciação, ou uma séria deficiência de qualquer tipo. Embora esses desconfortos não sejam tipicamente associados a pitta, eles ainda podem estar presentes em pessoas com constituições ou desequilíbrios pitta. O sabor amargo também é mais bem minimizado durante a gravidez. 
 
O sabor adstringente equilibra pitta porque: 
•É composto principalmente dos elementos ar e terra e é seco, frio e pesado – todas as qualidades que pacificam pitta. 
•Sua natureza refrescante alivia o excesso de calor e inflamação.
•Ajuda a secar o excesso de pitta ao absorver a umidade e o óleo, o que alivia o excesso de suor, evita o vazamento de líquidos e pode ajudar a corrigir distúrbios hemorrágicos. 
•Tem uma afinidade específica com o cólon e pode combater a rápida digestão do pitta ligando as fezes e corrigindo a diarreia. 
•Sua capacidade de atuar como vasoconstritor pode combater os desconfortos do tipo pitta, como a enxaqueca – resultado das qualidades quentes e afiadas que causam um fluxo forçado de sangue e provocam vasodilatação. 
•Tende a promover a ancoragem, o que ajuda a acalmar a mente clara e afiada de pitta. 
•O sabor adstringente deve ser minimizado em casos de vata agravado, constipação ou quando houver bloqueios de qualquer tipo, no corpo. Embora esses desequilíbrios possam não estar associados ao excesso de pitta, eles ainda podem estar presentes em pessoas com constituições ou desequilíbrios pitta. 
 
O sabor amargo agrava o pitta porque: 
•É composto principalmente dos elementos terra e fogo, que o tornam leve, líquido, oleoso, úmido e quente – todas as qualidades que agravam o pitta. 
•Sua natureza de aquecimento tende a aumentar a sede e exacerbar o calor natural de pitta. 
•Umedece e pode desencadear a retenção de água, o que agrava as qualidades líquidas e oleosas do pitta. 
•Sua natureza ácida pode desencadear azia, úlceras e outras indicações do tipo pitta de excesso de calor e nitidez no trato digestivo. 
•Pode exacerbar a sensibilidade nos dentes e olhos. 
•Pode perturbar o sangue, agravando problemas de pele como coceira, erupção cutânea, acne, eczema e psoríase. 
•Pode estimular o apetite forte de pitta e alimentar o fogo de um metabolismo hiperativo. 
•Estimula o peristaltismo e pode acelerar o ciclo da excreção.
•Agrava a mente afiada e focada de pitta e pode desencadear emoções comuns a pitta, como raiva, críticas, ciúmes e egoísmo. 
 
O sabor salgado agrava o pitta porque: 
•É composto principalmente de elementos de água e fogo (os mesmos elementos que predominam em pitta), que o tornam oleoso, umedecido e quente. 
•Estimula o metabolismo e pode agravar problemas digestivos do tipo pitta, como hiperacidez, vômitos, úlceras e inflamação intestinal. 
•Sua natureza aquecida pode aumentar a sede, agravar o excesso de calor e inflamação, irritar as condições da pele do tipo pitta e causar sensações de queimação. 
•Sua qualidade hidratante pode provocar pitta e levar à retenção de sódio e água. 
•Tem uma afinidade pelo sangue e pode aumentar a pressão arterial ou agravar os distúrbios hemorrágicos. 
•Está associado a cabelos grisalhos e calvície – ambos sinais comuns de pitta elevado. 
•Pode provocar irritabilidade. 
 
O sabor picante agrava o pitta porque: 
É composto principalmente dos elementos fogo e ar, que o tornam quente, leve e afiado – todas as qualidades que agravam o pitta. 
É o mais quente de todos os gostos e pode facilmente provocar o calor natural do pitta. 
Sua natureza ardente aumenta a circulação, estimula a transpiração e causa sede excessiva. 
É intensamente estimulante para o fogo digestivo, que para pitta pode causar náuseas, azia, úlceras, desconforto intestinal, inflamação e diarreia. 
Ele tende a diluir o sangue, dilatar os vasos e romper os coágulos – todos os traços do tipo pitta. 
Pode agravar as condições da pele e causar sensações de queimação. 
Pode esgotar a potência sexual queimando os tecidos reprodutivos.
Sua leveza e movimento ascendente espelham e exacerbam tendências comuns de pitta. 
Pode facilmente desencadear emoções do tipo pitta como agressividade, irritabilidade, raiva, competitividade e ciúme. 
 
Pitta e o sabor da experiência
Fazer ajustes nas energias às quais estamos expostos pode afetar todos os doshas, mas é especialmente eficaz para equilibrar a natureza sutil de vata e pitta. Quando se trata de equilibrar pitta, há algumas mensagens importantes sobre o sabor da sua vida, relacionamentos e experiências. Em geral, relacionamentos e experiências que são infundidos com a qualidade doce são profundamente pacificadores para os pitta. Eles suavizam a nitidez de pitta, energia em movimento ascendente, e estabilizam a intensidade indevida. Experiências doces que acalmem pitta podem incluir receber uma massagem relaxante, levar algum tempo para simplesmente absorver as paisagens e sons calmantes do mundo natural, ir a um encontro romântico com seu parceiro ou priorizar uma prática de autocuidado amorosa regularmente. 
 
Há muitas maneiras pelas quais podemos aumentar a doçura de nossa experiência diária, e é bem provável que todas elas apóiem profundamente pitta. Os tipos Pitta podem ser naturalmente atraídos pelo humor seco (pense em adstringente) ou por um toque de cinismo (pense levemente amargo) que, com moderação, pode fornecer algumas das qualidades de secura e resfriamento, que realmente equilibram pitta. Por outro lado, experiências azedas que provocam ressentimento, inveja ou raiva tendem a ser excepcionalmente provocadoras para pitta. Lembre-se, o Ayurveda vê o gosto – da experiência sensorial mais tangível à influência energética mais sutil – como uma ferramenta terapêutica essencial. Embora cada um dos seis gostos tenha um papel vital a desempenhar, a combinação perfeita de gostos pode variar muito de uma pessoa para outra. 
 
Quando se trata de equilibrar pitta, os gostos adocicados, amargos e adstringentes tendem a ser os mais favoráveis, enquanto muitos dos gostos ácidos, salgados e picantes podem ser decididamente pitta provocadores.
 

Kapha
É composto principalmente pelos elementos terra e água, que o tornam pesado, lento, fresco, oleoso, liso, denso, macio, estável e nublado. Por causa dessas características, o dosha kapha é equilibrado pelos sabores picante, amargo e adstringente e agravado pelos sabores doce, azedo e salgado. 

O sabor picante equilibra o kapha porque: 
•É composto principalmente dos elementos fogo e ar, que o tornam quente, seco, leve e afiado – todas as qualidades que equilibram o kapha. 
•Sua afinidade pelo estômago fornece qualidades pacificadoras, diretamente para esse importante local kapha. 
•Aquece naturalmente o corpo, acende o fogo digestivo e estimula a função metabólica. 
•É extremamente seco, o que ajuda a neutralizar a natureza úmida, aquosa e oleosa de kapha. 
•Seu calor intenso ajuda a derreter e eliminar o excesso de muco, melhorar a circulação, estimular a transpiração e limpar a estagnação e as toxinas do corpo. 
•As suas qualidades estimulantes e penetrantes abrem os canais internos, limpam o sangue e os músculos, clarificam os sentidos, diluem o sangue, dilatam os vasos sanguíneos, reduzem o colesterol, dissolvem os coágulos e apoiam a eliminação do excesso de gordura. 
•Seu movimento ascendente e energia luminosa contrabalançam o peso e a inércia de kapha. 
•Inspira entusiasmo, excitação, curiosidade, clareza e expansividade. 
•O sabor picante deve ser minimizado quando houver excesso de calor, excesso de acidez ou qualquer deficiência no sistema reprodutivo. 
Esses desequilíbrios não são tipicamente associados a kapha, mas podem estar presentes em pessoas com constituições ou desequilíbrios kapha. 

O sabor amargo equilibra kapha porque: 
•É composto principalmente dos elementos ar e éter e é muito leve e seco. 
•Drena a umidade do corpo, seca os tecidos, combate as tendências de inchaço, alivia o congestionamento e seca o ama (toxina) acumulado. 
•Possui um efeito de raspagem, o que pode ajudar a limpar o kapha acumulado. 
•É um tônico digestivo, estimulando um apetite saudável, melhorando o paladar, estimulando o fogo digestivo, aumentando a liberação de enzimas digestivas, promovendo o peristaltismo e, geralmente, corrigindo qualquer lentidão no trato gastrointestinal. 
•Limpa e purifica o pâncreas – um importante local de kapha. 
•Reduz a gordura, apoiando a gestão saudável do peso. 
•Dá clareza mental, autoconsciência e um distanciamento saudável das posses mundanas. 
•O gosto amargo deve ser minimizado em casos de vata elevado, excessos extremos das qualidades frias, secas ou ásperas, emaciação ou uma deficiência séria de qualquer tipo. 
Embora esses desconfortos não sejam tipicamente associados a kapha, eles ainda podem estar presentes em pessoas com constituições ou desequilíbrios kapha. 
O sabor amargo também é mais bem minimizado durante a gravidez. 

O sabor adstringente equilibra o kapha porque: 
•É composto principalmente dos elementos ar e terra e é muito seco. 
•Tem uma afinidade particular com o rasa dhatu (plasma), um importante local de kapha, e ajuda a remover o excesso de umidade e a acidez acumulada. •Limpa as membranas mucosas, ajuda a evitar a tosse e serve para descongestionar os tecidos.
•Tonifica tecidos soltos ou flácidos, raspa o excesso de gordura e geralmente reduz sua natureza. 
•O sabor adstringente deve ser minimizado em casos de vata elevado, constipação ou quando houver bloqueios de qualquer tipo no corpo. 
Embora, esses desequilíbrios nem sempre sejam associados a kapha, eles podem estar presentes em pessoas com constituições ou desequilíbrios kapha. 

O sabor doce agrava o kapha porque: 
•É composto principalmente dos elementos terra e água (os mesmos elementos que predominam em kapha). 
•É pesado, frio, oleoso, macio, umedecendo, aterrando, nutrindo e construindo. 
•É bastante difícil de digerir e pode abafar o fogo digestivo lento de kapha. 
•Tem uma afinidade com os pulmões (a sede de kapha) e suas qualidades são inerentemente agravantes. 
•Pode exacerbar a tendência de kapha para o excesso de muco, congestão, resfriados, tosse e pode estimular a criação de ama (toxinas). 
•É úmido e estabilizante, o que pode levar à retenção de água, edema, estagnação da linfa ou desenvolvimento de tumores. 
•Pode aumentar o desejo de sono ou causar letargia e ganho de peso. 
•Pode alimentar microrganismos comumente associados ao excesso de kapha: vermes, excesso de Candida albicans e infecções fúngicas. 
•Pode desencadear desequilíbrios emocionais do tipo kapha, como ganância, apego, possessividade e desejos não saudáveis.
 
O gosto amargo agrava o kapha porque: 
•É composto principalmente dos elementos terra e fogo, que o tornam oleoso, umedecido e quente – todas as qualidades que agravam kapha. 
•Ele tem uma afinidade com a maioria dos tecidos do corpo e ajuda a construir o volume – normalmente não o que o kapha precisa. 
•Ele contém umidade nos tecidos e pode causar retenção de água, congestão e edema. 
•Tem uma afinidade específica para os pulmões, onde pode provocar excesso de umidade, muco ou tosse úmida. 
•Pode aumentar o apetite, agravando a tendência de kapha a comer emocionalmente e comer em excesso. 
•Sua natureza descendente tende a agravar o peso do kapha. 

O sabor salgado agrava o kapha porque: 
•É composto principalmente de elementos de água e fogo; para kapha, a questão principal é o elemento água, que torna o sabor salgado pesado, oleoso e umedecedor. 
•É inerentemente anabólico, nutritivo e edificante – qualidades que tendem a agravar kapha. 
•Tem uma afinidade pelo plasma (um importante local kapha) e pode causar retenção de sódio e água, desencadeando desequilíbrios do tipo kapha, como inchaço, edema, espessamento do sangue e estreitamento dos vasos. 
•Seu peso e movimento descendentes tendem a aumentar kapha. 
•Sua intensidade pode ofuscar outros sabores e causar desejos agravantes. 
•Pode desencadear emoções do tipo kapha, como apego, ganância e possessividade. 

Kapha e o sabor da experiência 
Enquanto kapha é o mais concreto dos três doshas, ainda é influenciado pela energia da experiência. Quando se trata de equilibrar o dosha kapha, existem algumas mensagens importantes sobre o sabor da sua vida, relacionamentos e experiências. Kapha se beneficia de apimentar as coisas com a maior frequência possível (observe a referência ao gosto picante). Kapha faz bem em se libertar da rotina e em se envolver com a espontaneidade e a aventura. Este tempero adicionado, ajuda a refrescar a energia, fornece uma fonte útil de estímulo e pode combater a tendência de kapha à letargia ou monotonia. 

Os tipos kapha são geralmente pessoas amorosas, estáveis, fundamentadas e consistentes – o sal da terra. Mas eles próprios podem realmente se beneficiar de estar perto de pessoas que são um pouco mais espontâneas, imprevisíveis, excitáveis e aventureiras. Os tipos Kapha tendem a ser muito doces por natureza. Eles podem gravitar naturalmente, ou até ajudar a criar, relacionamentos e experiências agradáveis. O truque para o kapha é não escorregar para padrões menos saudáveis. 

Ser excessivamente sentimental, romântico pode, na verdade, agravar o kapha e desencadear emoções como apego ou possessividade. Com moderação, encontrar um senso de humor seco ou conviver com alguém que tenha uma visão ligeiramente amarga ou cínica de algo, pode fornecer apenas o tipo de influência de secura que equilibra kapha. 

Quando se trata de equilibrar o kapha, os sabores pungente, amargo e adstringente tendem a ser os mais favoráveis, enquanto muito do gosto doce, ácido e salgado pode rapidamente agravar o kapha.


Vipaka

Ao estudar a compreensão da Ayurveda sobre os efeitos fisiológicos dos alimentos e dos medicamentos, contamos com quatro pilares: 
•rasa (sabor), 
•virya (energia de aquecimento ou resfriamento – potência), 
•vipaka (sabor pós-digestivo) e 
•prabhava (propriedades únicas, contrárias ou anômalas). A substância que não pode ser explicada por sua rasa, virya ou vipaka). 

Destes, os conceitos de rasa, virya e prabhava são bastante diretos e fazem sentido quando explicados em linguagem não técnica. Todo mundo sabe o que é o sabor, experimentou os efeitos do calor e do frio e sabe que, quando lidamos com complexidades, às vezes as coisas não correm como esperado. Mas o conceito de vipaka, exclusivo do Ayurveda, é um tanto elusivo e poderia suportar mais exploração e explicação. 

Isto é agravado pelo fato de que há uma grande diversidade de visões entre os diferentes comentaristas sobre o número e os tipos de vipaka. Alguns autores são da opinião de que cada rasa tem seu próprio vipaka, ou seja, que existem seis vipakas correspondentes aos seis rasas, enquanto Susrutha afirma que existem apenas dois vipakas, doce e pungente. Depois de rasa (em alimentos e medicamentos) ter sido assimilado – geralmente 6 a 8 horas após a ingestão – surge um “sabor” pós-digestivo. 

Os seis sabores (doce, ácido, salgado, picante, amargo e adstringente) são consolidados, deixando três sabores pós-digestivos (vipaka) que permanecem. Geralmente, mas com muitas exceções: Os sabores doces e salgados se tornam doce após a digestão; O ácido permanece ácido: rasas amargos, picantes e adstringentes têm um vipaka picante. O sabor pós-digestivo tem um efeito pronunciado sobre a constituição dos doshas de uma pessoa. O vipaka de ervas e outros medicamentos, que deixam pouca ou nenhuma impressão sensorial na língua, é mais potente e de maior importância clínica do que o rasa, particularmente no uso a longo prazo. Precisamente o inverso no caso dos alimentos nos quais, a experiência de gosto gustativo é um elemento importante.
 
A título de ilustração, os sabores doce e salgado digerem em doce: o doce é nutritivo e umedecedor para os tecidos e também tem um efeito levemente laxante. A natureza refrescante e antiinflamatória do doce torna-o benéfico para pitta, enquanto as suas propriedades úmidas e anabólicas (construção de tecido) aumentam kapha. O sabor ácido digere em ácido: isso irá incentivar a digestão, beneficiar o fígado, aumentar o calor e a umidade no corpo, enquanto também acalma o sistema nervoso. Seu efeito a longo prazo é agravante para pitta e calmante para vata. Os sabores picante, amargo e adstringente digerem em picante: sua natureza é aumentar a secura, a constipação e o gás. 

Estes pacificam kapha e agravam vata. Para dar um exemplo de como o vipaka varia de acordo com a energia específica de cada erva ou medicamento, vamos dar uma olhada em duas pimentas comumente receitadas. Tanto a pimenta preta ou do reino (Piper nigrum) como a pimenta longa ou indiana (Piper longum) são picantes em rasa e quentes em virya. Enquanto a pimenta preta é picante após a digestão e, portanto, constipando, secando e danificando a produção de fluidos reprodutivos, a pimenta longa tem o pós digestivo doce e (portanto, ajuda a eliminação) é um tônico rejuvenescedor benéfico para kapha e um afrodisíaco para o sistema reprodutivo. 

Surge imediatamente a questão: “se ambas as pimentas são picantes, antes de formar vipaka, as duas não deveriam se transformar em vipakas picantes? Como é que a pimenta longa, picante em rasa, evolui para um vipaka doce? As plantas são organismos complexos, alguns contem até 8.000 fitoquímicos e os fenômenos do paladar são extraordinariamente complexos. Enquanto o rasa tem um efeito fisiológico imediato e localizado no sistema digestivo, o vipaka tem o efeito a longo prazo de um alimento ou erva em todo o corpo. Vipaka resulta da mistura do agni, o fogo digestivo, com os sabores particulares presentes e é uma extensão do efeito da concatenação dos milhares de fitoquímicos que dão origem a cada sabor particular. 

Assim, a noção de que sabores doces e salgados geram uma vipaka doce, que ácidos permanecem ácidos e que os outros rasas evoluem para um vipaka picante é meramente uma regra prática, uma diretriz, à qual existem numerosas exceções. Alguns autores afirmam que, se há mais de um rasa em uma substância, apenas o mais forte deles predominará; outros sustentam que este não é o caso. Assim, em termos práticos, o vipaka nem sempre pode ser corretamente identificado e depende muito dos efeitos fisiológicos reais que são notados após a digestão. Assim, na atribuição de vipaka a determinados alimentos e medicamentos, a observação dos efeitos pós-digestivos reais supera qualquer categorização sistemática.

Virya

A palavra Virua ou Veerya é derivada de ‘veer’, que significa uma propriedade dinâmica de uma substância que provoca a ação. Veerya em Ayurveda é um conceito único e é muito importante para entender a farmacodinâmica e ação de um medicamento. Observa-se que os medicamentos que efetivamente agem em um dosha, dhatu e mala em um determinado momento tornam-se ineficazes depois de algumas vezes. Isto ocorre assim porque a potência de uma substância ou o veerya que é responsável pela ação efetiva, é perdida quando se torna envelhecida. 

Por esta razão, todos os Samhitas (compêndios clássicos ayurvédicos) aconselham usar dravyas frescas em vez de antigas ou estocadas por muito tempo. Um medicamento funciona através de veerya. Se seu veerya se esgotar devido ao efeito de condições adversas, ele perde sua potência dinâmica, se tornando ineficaz. A ação só acontece se o medicamento possui veerya, se não, as ações não são identificadas. Opiniões diferentes existem sobre a forma de veerya. Alguns antigos autores mencionam veerya como substâncias, outros como Guna e karma. 

Alguns descrevem veerya como uma potência dinâmica e, portanto, consideram-no como uma parte do Guna. Estudiosos modernos consideram veerya como “princípio ativo” e, portanto, parte de substâncias especiais. Ação de dravya é devido a veerya. Veerya substitui Rasa, vipaka e Guna, portanto mesmo quando os três mencionados de um dravya agem de acordo um com o outro. Veerya traz diferença de ação total.

Guna

A palavra sânscrita guna é difícil de definir e tem muitos significados, embora possa ser mais bem descrita como os “modos” da matéria. Existem três categorias principais de gunas: sattva, rajas e tamas. Tudo na natureza é constituído de cada uma destas categorias, embora não de uma maneira que permita a separação. Os gunas e prakrti (natureza) são dependentes uns dos outros e, portanto, não se pode existir sem a presença de todos os outros componentes. Sattva é a categoria de guna responsável pela criação, pela bondade e pelas características benéficas que compõem a prakrti. 

As atividades de Sattva permitem que a mente fique quieta e se mova em direção a um estado de equilíbrio. Tais ações levam à realização de purusa (o verdadeiro eu) e, assim, as qualidades de sattva são consideradas responsivas à luz de purusa. Para obter e manter sattva, é necessário evitar rajas e tamas. O consumo de alimentos sátivicos também é considerado uma maneira de melhorar a qualidade do sattva, ajudando a iluminar a mente. Tais alimentos são aqueles que vêm em formas puras ou naturais, como frutas ou legumes e uma alimentação vegetariana em geral. 

Rajas é a categoria de guna que se refere à paixão, preservação e é a causa de toda atividade. Rajas se expressa em movimento e, por estar presente em toda a matéria, faz com que todas as coisas estejam em contínuo estado de mudança. As ações rajasicas são geralmente egoístas e movidas pelo desejo de obter poder, riqueza ou fama. O rajas está associado ao calor e, por isso, os alimentos condimentados, quentes ou fritos se enquadram nessa categoria. Tamas é a terceira guna que se refere à ignorância ou ilusão e às atribuições negativas que surgem por causa disso. Está em oposição a sattva e, portanto, resiste à atividade e à luz de purusa ao inibir a expansão da mente. 

As ações tamasicas são frequentemente classificadas como imorais, enganosas, hostis ou violentas. Alimentos como carnes e comida processada estão incluídos nesta categoria. Acredita-se que a combinação desses três gunas criem as características de todos os seres. Eles compõem prakrti semelhante ao modo como as três cores primárias são capazes de compor as cores de todo o espectro. Prakrti está em seu estado mais puro quando todas essas três qualidades estão em equilíbrio. Este estado é definido pelo termo sânscrito samyavastha. Acredita-se que o desequilíbrio dessas três qualidades cause rupturas no funcionamento normal do corpo. 

O Ayurveda, assim como a relação inseparável entre os gunas e os prakrti, apóia o conceito de que o corpo é uma entidade inseparável de seus ambientes sociais, culturais e espirituais. Os praticantes do Ayurveda apoiam a noção de que as leis cósmicas que governam o Universo também se aplicam aos nossos corpos, e que a doença é causada pelo desequilíbrio dos gunas que criam desarmonia à ordem cósmica. Essa crença deriva da ideia de que existem cinco elementos básicos, as panchamahabutas, que compõem toda a matéria, tanto no cosmos como em nossos corpos, como estudamos anteriormente. 

O conceito do Ayurveda é focado em torno da ideia de equilíbrio. A cura ayurvédica é sugerida quando os efeitos negativos se desenvolvem e causam um declínio na saúde. Esta forma de cura é focalizada na promoção de qualidades de sattva que ajudarão a clarear a mente e encorajar a restauração do equilíbrio para os três gunas. Essa interconexão é o motivo pelo qual, ao seguir a abordagem holística do Ayurveda, quase tudo pode ser usado como uma forma de medicina, supondo que seja usada da maneira apropriada, com quantidades corretas e nos horários corretos. No entanto, isso também significa que o uso incorreto desses materiais pode levar a um desequilíbrio e a atributos negativos. Segundo o Ayurveda, a boa saúde também depende de daiva e puruskara. 

Daiva são as sementes kármicas que adquirimos de nossas vidas anteriores, enquanto puruskara é o esforço pessoal e ações que realizamos durante nossa vida (Verma 11). Esses dois conceitos explicam porque, segundo o conceito ayurvédico, a doença nunca ocorre por acaso. Os defensores do Ayurveda acreditam que as sementes kármicas adquiridas de daiva e puruskara podem causar desequilíbrios nos três gunas, o que pode, por sua vez, causar desequilíbrios nos três doshas, criando problemas de saúde. É por essa razão que o Ayurveda usa múltiplas formas de terapia como um método de tratamento para sintomas físicos.

Prabhava

Prabhava em Ayurveda é um tópico importante que todo estudante e praticante deve saber. É o fator ou poder que altera a farmacodinâmica de uma erva ou medicamento. Geralmente, o medicamento mostra seus efeitos no corpo através de suas propriedades e constituintes ativos potentes. Mas o prabhava é um fator que altera os efeitos ou a ação do medicamento. 
•Prabhava é o único poder específico e especial do dravya.
•A propriedade que é responsável pela ação especial ou peculiar de dravya é conhecida como prabhava.
•O prabhava é o efeito não específico de um dravya.
•Prabhava pode ser definido como a propriedade especial que produz ações diferentes e contrárias àquelas atribuídas a rasa, guna, veerya e vipaka.
•Prabhava é o efeito inimaginável das drogas, como acontece no caso de mani (pedras preciosas), manthra (canto sagrado) e ervas celestes. 

Eles agem de uma maneira totalmente diferente da ação esperada, sem depender do sabor, da potência, da qualidade e do sabor digerido que existe neles.

Ahara

Ahara é o alimento que é ingerido, considerando todos os alimentos como comestíveis, degustáveis, bebíveis, etc Desde o período védico a comida tem uma importância primordial. É considerada como Brahma nos Upanishads. É responsável pelo crescimento, desenvolvimento e aprimoramento de ojas. A comida é suprema ou brahma. Todos os seres se originam da comida, que é a responsável pela vida de todos os seres. Charaka enfatiza a importância da comida: “O corpo, assim como a doença, são formados pela comida, alimentos saudáveis e prejudiciais são responsáveis pela felicidade e pela miséria, respectivamente”. 
 
A doença pode ser curada sem qualquer medicamento, apenas seguindo uma dieta saudável. Nenhum medicamento é equivalente à comida. É possível ser uma pessoa livre de doenças com uma dieta adequada. A comida aumenta a vitalidade, força e torna o corpo resistente. Ela aumenta o entusiasmo, a memória, o agni, o tempo de vida e a saúde. O consumo de uma comida pura ou seja satvika ahara torna a mente clara. Quando a mente é desprovida de defeitos, o poder da memória aumenta. A saúde depende da comida. 
 
Benefícios da comida 
A comida ajuda no sustento da vida dos seres vivos. Todos os seres vivos no mundo precisam de comida. Tez, clareza, voz, longevidade, inteligência, felicidade, satisfação, nutrição, força e intelecto estão presentes nos alimentos. As atividades profissionais que conduzem à felicidade neste mundo, a observância da verdade, a abstinência que leva à libertação, tudo depende da comida. A maioria das doenças incuráveis é resultado da ingestão de alimentos impróprios. 
 
O homem inteligente e autocontrolado deve consumir alimentos condutores em quantidade adequada e no momento certo para evitar doenças. Qualquer procedimento, combinações, dose, quantidade de comida, propriedades opostas dos alimentos, se consumidos de uma forma regular, podem levar a inúmeros distúrbios. Charaka mencionou que alguns tipos de combinações erradas podem levar à morte. 
 
Incompatibilidades alimentares 
Vários alimentos são incompatíveis como mencionado na literatura antiga Ayurveda, por Charaka e Sushruta Samhitas. Estes tipos de combinações de alimentos não estão em uso na época atual. Temos que identificar novas formas de incompatibilidade alimentar, que são praticadas hoje em dia, conforme a perspectiva ayurvédica. Essas combinações de alimentos podem ser prejudiciais para o sistema imunológico, o metabolismo celular e na produção do hormônio do crescimento. Um novo ramo chamado topografia (uma ciência relacionada à combinação de alimentos) está emergindo, e abordada a combinação de categorias básicas da comida. 
 
De acordo com esta ciência, as proteínas não devem ser combinadas com amido e carboidratos e devem ser consumidas de forma diferente. Isso ocorre porque os amidos requerem um meio alcalino e a amilase na saliva contém ptialina, uma enzima que decompõe o amido em maltose. O processo continua no intestino delgado, onde mais amilase quebra ainda mais a maltose em glicose simples, frutose e galactose. Estes são absorvidos pela corrente sanguínea e levados ao fígado, que distribui a energia para qualquer célula do corpo que precise dela. Se não houver necessidade imediata, a glicose será convertida em glicogênio e armazenada no fígado ou em gordura para ser armazenada no tecido adiposo. 
 
Consumir proteínas e amidos juntos resultará na absorção de um sendo atrasado pelo outro. Da mesma forma, comer açúcares e frutas ácidas dificultam a ação da ptialina e da pepsina, reduzindo a secreção da saliva e retardando a digestão. Se houver amilase insuficiente na boca, o amido não será digerido no estômago; em vez disso, obstruirá os trabalhos até que a amilase no intestino delgado possa começar a trabalhar. As gorduras impedem a secreção de sucos digestivos e reduzem a quantidade de pepsina e ácido clorídrico, portanto devem ser evitadas ou usadas com moderação junto com alimentos ricos em proteínas. 
 
O efeito indesejado de combinações erradas de alimentos não é limitado apenas ao trato gastrointestinal, e pode prejudicar os principais sistemas do corpo. Os efeitos colaterais indesejados podem surgir dentro do corpo quando dois ou mais tipos de alimentos são consumidos juntos. Tais reações podem ser menos importantes, mas ao longo prazo, podem ser fatais ao precipitar efeitos colaterais graves. O fogo digestivo não é aumentado pelo jejum nem pela ingestão excessiva de alimento, pois a ausência de combustível extingue o fogo existente ou o excesso de combustível extingue o fogo brando.

O QUE É DINACHARYA AYURVEDA

A tradição da dinacharya (rotina diária) é uma das ferramentas ayurvédicas mais poderosas para melhorar a saúde geral e o bem-estar. Mesmo se você for novato em Ayurveda, não demorará muito para que você ouça algo sobre a importância de fazer várias coisas – como comer, dormir e trabalhar – aproximadamente no mesmo horário todos os dias. Uma rotina diária convida a saúde, a vitalidade e uma sensação de clareza em nossas vidas. Adotar uma rotina diária apropriada é, sem dúvida, uma das atitudes mais fundamentais e estimulantes que você poderia fazer por si mesmo e, embora o conceito de ter uma rotina diária esteja no coração de um estilo de vida ayurvédico, nenhuma receita é correta para todos. 

O modelo geral pode e deve ser adaptado para atender às necessidades da constituição de cada indivíduo e ao estado atual do equilíbrio, até porque hoje em dia, a maioria de nós, leva uma vida atribulada. E aí reside a beleza deste conceito, porque a rotina diária correta pode melhorar drasticamente nossas vidas.
 
Sugerimos neste guia, vários recursos para ajudá-lo a criar e implementar uma rotina diária personalizada – ou ajustar uma existente. Como o espírito de uma rotina diária é apoiar seu sistema para ele retornar ao equilíbrio, o melhor ponto de partida é normalmente o seu estado atual de equilíbrio (se você não conhece o seu, recomendamos, assim que possível, uma consulta com um médico Ayurveda). Depois de saber qual dos seus doshas precisa de mais suporte, você pode selecionar o recurso de rotina diária correspondente. 

Recomendamos que você revise esse processo pelo menos duas vezes por ano para acompanhar seu progresso e fazer os ajustes necessários em sua rotina. Se você preferir construir uma rotina baseada em sua constituição, você pode fazer isso também. Muitas vezes, garantir que há um senso de rotina de um dia para o outro é mais importante do que criar a combinação perfeita de hábitos e práticas. Recomendamos que você aborde esse processo da maneira que melhor lhe atenda – sabendo que até mesmo o esforço mais humilde para adotar uma rotina provavelmente terá um impacto positivo. 

Para obter os melhores resultados, divirta-se, seja nutrido pelo processo e acrescente mais à sua rotina apenas quando se sentir verdadeiramente inspirado. Em nosso mundo acelerado e de alta tecnologia, com distração e entretenimento sem fim, mais e mais pessoas estão se desconectando da natureza. Os “disjuntores naturais” de nossos corpos são desarmados quando somos expostos com frequência a jet-lag, à luz artificial e fluorescente, ao trabalho noturno e desconectam as necessidades fisiológicas do corpo. 

Os cientistas só agora estão começando a entender exatamente como é importante que o corpo permaneça conectado aos ritmos da natureza, embora o Ayurveda tenha enfatizado a importância de uma conexão com a natureza há milênios. A desconexão dos ritmos naturais é chamada de interrupção cronológica. Este fenômeno tem sido associada a uma série de problemas de saúde, incluindo baixa função cognitiva, transtornos de humor, distúrbios do sono, diabetes, obesidade, sonolência diurna, redução do desempenho escolar, redução do tempo de reação ao dirigir, abuso de substâncias, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer. Essa rotina diária pode se tornar muito elaborada, por isso faça no seu tempo e o que for possível, até que você consiga assimilar os efeitos e incluir gradativamente as ações na sua própria rotina.
1. Acorde cedo pela manhã 
É bom acordar antes do nascer do sol – brahma murta – quando há qualidades amorosas (sattvicas) na natureza que trazem paz de espírito e frescor aos sentidos. O nascer do sol varia de acordo com as estações do ano, mas em média, devemos nos levantar de acordo com nossos doshas: vata por volta das 6h, pitta às 5h30 e kapha às 4h30 da manhã. 

2. Limpe o rosto, a boca e os olhos 
Lave seu rosto com água fria e enxague a boca. Lave os olhos com água fria e massageie as pálpebras esfregando-as suavemente. Pisque os olhos 7 vezes e gire os olhos em todas as direções. Seque o rosto com uma toalha limpa. Existem vários tipos de colírios indicados para os três doshas. Consulte, quando possível, seu médico Ayurveda para estas recomendações. 

3. Beba água pela manhã 
Em seguida, beba um copo de água à temperatura ambiente. Libera os rins e estimula o peristaltismo. Não é uma boa ideia começar o dia com chá ou café, pois isso drena a energia dos rins, estressa as glândulas supra-renais e causa prisão de ventre. 

4. Evacuação 
Sente-se, ou melhor, agache-se no vaso sanitário e faça movimentos intestinais. A digestão inadequada da refeição da noite anterior ou a falta de sono podem impedir isso. No entanto, a água, ajuda a regular os movimentos intestinais. Respiração por narina alternada também pode ajudar. Após a evacuação, lavar o orifício anal com água morna e depois as mãos com sabão.

5. Raspe sua língua 
Raspe suavemente a língua da parte de trás para a frente, até que você tenha raspado toda a superfície por 7 a 14 vezes. Isso estimula os órgãos internos, ajuda a digestão e remove as bactérias mortas. Idealmente, vata pode usar um raspador de ouro, pitta a prata e kapha de cobre. O aço inoxidável pode ser usado por todas as pessoas. 

6. Limpe seus dentes 
Sempre use uma escova macia e um creme dental Ayurvédico ou pó adstringente, picante e amargo. A escova de dentes indiana tradicional é um bastão de neem, que desloca 11partículas finas entre os dentes e produz gengivas fortes e saudáveis. Varas de raiz de alcaçuz também são usadas. Pó de casca de amêndoa torrada pode ser usado para vata e kapha e neem moído para pitta. 

7. Gargarejo 
Para fortalecer os dentes, gengivas e mandíbula, melhorar a voz e remover as rugas das bochechas, gargareje duas vezes ao dia com óleo de gergelim morno. Segure o óleo na boca, agite-o vigorosamente, depois cuspa e massageie suavemente as gengivas com um dedo. 

8. Mastigar 
Mastigar um punhado de sementes de gergelim ajuda a fortalece as gengivas e os dentes. Alternativamente, mastigue 3-5 tâmaras secas e uma polegada da polpa de coco seco. Mastigar de manhã estimula o fígado e o estômago, e melhora o fogo digestivo. Depois de mastigar, escovar os dentes novamente sem usar creme dental ou pó. 

9. Gotas nasais (Nasya) 
Colocar de 3 a 5 gotas de ghee ou óleo morno em cada narina pela manhã ajuda a lubrificar o nariz, limpar os seios da face e melhorar a voz, a visão e a clareza mental. Nosso nariz é a porta para o cérebro, então as gotas nasais nutrem o prana e trazem inteligência. Para vata: óleo de gergelim, ghee ou óleo cálamo. Para pitta: brahmi ghee, girassol ou óleo de coco. Para kapha: óleo de raiz de cálamo. 

10. Gotas de óleo nas orelhas (Karana purana) 
Condições como zumbido nos ouvidos, excesso de cera no ouvido, deficiência auditiva, são devidos ao excesso de vata nos ouvidos. Colocar 5 gotas de óleo de gergelim morno em cada orelha pode ajudar a melhorar estes distúrbios. 

11. Aplique óleo na cabeça e no corpo (Abhyanga) 
Esfregue óleo morno sobre a cabeça e o corpo. A massagem suave e diária do couro cabeludo pode trazer felicidade, além de prevenir dores de cabeça, calvície, branqueamento dos cabelos precocemente. Lubrificar o seu corpo antes de dormir ajudará a induzir o sono e manter a pele macia. A massagem deve ser gentil e no sentido que os pelos crescem. 
•Para vata, use óleo de gergelim morno. 
•Para pitta use girassol morno ou óleo de coco. 
•Para kapha use girassol morno ou óleo de mostarda.
 
12. Exercício 
O exercício regular, especialmente o yoga, melhora a circulação, a força e a resistência. Ajuda a relaxar e a ter um bom sono, melhorando a digestão e a eliminação. Exercite-se diariamente até a metade da sua capacidade, ou seja, até que o suor se forme na testa, nas axilas e na espinha. 
Vata: saudação ao sol x 12, feito devagar; levantamento de pernas; camelo; cobra; gato; vaca. Exercício lento e suave. 
Pitta: saudação a Lua x 16, moderadamente rápido; peixe; barco; arco. Exercício calmante. 
Kapha: saudação ao sol x 12, feito rapidamente; ponte; pavão; palmeira; leão. Exercício vigoroso. 

13. Pranayama 
Após o exercício, sente-se tranquilamente e faça alguns exercícios de respiração profunda da seguinte forma: 
12 respirações de narinas alternadas para vata; 
16 Respirações shitali refrescantes (enrolando sua língua longitudinalmente e respirando através dela) para pitta; 
100 bhastrika (respiração curta e rápida) para kapha. 

14. Banho 
O banho é limpo e refrescante. Remove o suor, a sujeira e a fadiga, traz energia ao corpo, clareza para a mente e santidade para sua vida. 

15. Vestir 
Roupas limpas traz beleza e virtude.
 
16. Uso de perfumes 
Usar aromas naturais, óleos essenciais ou perfumes traz frescor, charme e alegria. Dá vitalidade ao corpo e melhora a autoestima. 
•Para vata, o melhor perfume para usar é hina ou âmbar. 
•Para pitta tente usar khus, sândalo ou jasmim. 
•Para kapha, use âmbar ou almíscar. 

17. Meditação 
É importante meditar de manhã e à noite por, pelo menos, 15 minutos. Medite da maneira que você está acostumado. Meditação traz equilíbrio e paz em sua vida. 

18. Agora é hora do seu café da manhã! 
Sua refeição deve ser leve nos meses quentes ou se o seu agni estiver baixo e mais substancial no frio. Aproveite seu dia!
Por que se preocupar com uma rotina sazonal? 
O Ayurveda considera a rotina sazonal uma importante pedra angular da saúde durante todos os ciclos do ano. Equilibrar a natureza com o seu clima local através da escolha de um estilo de vida que compense o potencial de desequilíbrios sazonais é uma das maneiras mais simples de proteger seu bem-estar. Mas tenha em mente que as estações variam muito de um lugar para outro, assim como as qualidades que elas geram. 

“Estação de Vata” é qualquer época do ano que mais incorpore os atributos que caracterizam o vata dosha: seco, leve, frio, áspero, sutil, móvel e claro (ou vazio). O outono é a temporada clássica de vata. No entanto, dependendo de onde você mora, as qualidades secas e expansivas de vata podem ser componentes predominantes de seu ambiente já no verão, e o outono pode ser seguido por um inverno muito seco, frio, isolante e / ou ventoso.
 
Começar a observar seu ambiente a partir dessa perspectiva qualitativa permite que você responda às flutuações diárias e sazonais em seu clima local. A verdade é que muitos de nós já adotam hábitos sazonais apropriados, sem sequer estarem conscientes disso. Por exemplo, o verão é uma época em que muitas vezes gostamos de saladas e melancia em abundância, ambos antídotos perfeitos para o calor e a intensidade do verão. 

Como no inverno, em julho e agosto, muitas vezes estamos assando deliciosos pães e jantando sopas saudáveis – alimentos que naturalmente dominam a natureza seca, leve e errática do outono e inverno. Ao fazer escolhas de dieta e estilo de vida que combatam os efeitos de cada estação, você pode manter melhor seu senso interno de equilíbrio ao longo do ano.

PANCHAKARMA

Panchakarma é uma palavra sânscrita que significa “cinco ações” ou “cinco tratamentos”. Este é um processo usado para limpar o corpo de materiais tóxicos deixados por doenças e má nutrição. Normalmente, o corpo tem a capacidade inata de processar e remover eficientemente esses resíduos, incluindo os doshas viciados. No entanto, devido a maus hábitos alimentares repetidos, padrões de exercícios ruins, estilo de vida e predisposição genética, as enzimas digestivas, cofatores metabólicos, hormônios e agnis que regulam a homeostase interna do corpo se tornam desorganizados. Isso pode levar ao acúmulo e disseminação de toxinas em toda a fisiologia, resultando em doenças. 

Este resíduo é chamado ama na Ayurveda. Ama é uma substância prejudicial, pegajosa e fétida que precisa ser completamente evacuada do corpo. De acordo com o Dr. Marc Halpern, fundador e diretor do California College of Ayurveda, “Panchakarma é a ferramenta mais poderosa que usamos na Ayurveda para purificar o corpo e reconstruir sua força interna. É uma parte essencial do tratamento de qualquer doença crônica, seja física ou mental”.Panchakarma é diferente de qualquer outro programa de desintoxicação; é fundamentalmente projetado para remover uma forma diferente de toxina. 

Enquanto muitas toxinas existem em nosso ambiente que se acumulam e prejudicam nossos corpos, o Panchakarma aborda uma toxina especial chamada ama que é formada dentro de nossos próprios corpos. Ama é o subproduto da digestão inadequada. Tem as qualidades de viscosidade e peso. Em nossos corpos, obstrui nossos sistemas e danifica nossos tecidos. Está entre as forças mais prejudiciais em nossos corpos e contribui para doenças.Aqui está uma analogia para ajudar você a entender como o ama é formado. Imagine que há um fogo dentro do seu estômago. Pense em uma fogueira. Se o fogo estiver fraco, não poderá queimar a madeira que foi colocada. 

Em vez disso, a madeira queima e começa a expelir fumaça. No final, pedaços carbonizados são deixados e a madeira não é eficientemente transformada em cinzas.Incêndio digestivo pobre, ou força digestiva, leva à digestão inadequada da comida. Isso resulta em gases, inchaço, queimação, indigestão ou constipação. Além disso, um resíduo desse alimento mal digerido se acumula no trato digestivo e transborda para os sistemas corporais. Este resíduo é o ama. Ayurveda liga a ocorrência de ama no corpo e um sistema digestivo fraco devido a condições crônicas como candidíase, síndrome de fadiga crônica, enxaquecas, doença respiratória crônica e muitas outras condições. 

O processo de Panchakarma remove ama e abre caminho para o corpo restabelecer um estado interno de equilíbrio e harmonia. O ama pode estar presente no corpo se houver um revestimento na língua. Uma língua normal parece rosa por toda parte, mas à medida que o ama se acumula no sistema digestivo, a língua pode aparecer com uma película branca, amarela, verde ou cinza sobre ela. Além disso, em alguns casos, o corpo e a respiração desenvolvem um odor forte e as fezes tornam-se densas e afundam no fundo do vaso sanitário. De acordo com o Ayurveda, fezes normais deveriam flutuar. 

Se você tiver algum destes sinais, o tratamento com Panchakarma pode ser indicado. Contudo, é fundamental consultar um médico Ayurveda com experiência e formação acadêmica adequada para obter estas recomendações. Além disso, o Panchakarma exerce um profundo efeito na estabilização da mente e das emoções, restaurando a calma mental, ajudando a eliminar e superando emoções não resolvidas profundamente sentadas. Isso abre o caminho para se reunir com a essência pura do Ser e a união com o Divino.

O processo de Panchakarma

A terapia com panchakarma começa com uma preparação adequada. Isso inclui vários dias ou semanas de uma dieta especial e ervas, que iniciam o processo de soltar o ama e trazê-lo de volta ao sistema digestivo para eliminação. Enquanto a pessoa está comendo alimentos especiais e tomando ervas especiais, são aplicadas terapias de óleo e calor.O panchakarma removerá o excesso de doshas e corrigirá os desequilíbrios. Eliminará o prejudicial fora de seu sistema através dos órgãos do próprio corpo e dos canais de eliminação (cólon, glândulas sudoríparas, pulmões, bexiga, trato urinário, estômago, intestinos, etc.). 
 
O panchakarma purifica os tecidos em um nível muito profundo. Envolve massagens diárias e banhos de óleo, enemas de ervas, administrações nasais. É uma experiência muito prazerosa. Ayurveda recomenda Panchakarma como um tratamento sazonal para manter a higiene física e mental e equilíbrio. Dependendo das necessidades de cada indivíduo, todas ou apenas partes das cinco terapias são utilizadas. Terapeutas especialmente treinados devem administrar estes procedimentos em uma sequência definida por um período de tempo especificado. 
 
Além disso, embora Panchakarma seja em sua maior parte uma terapia agradável e confortável, pode haver períodos de desconforto associados à liberação profunda de toxinas, o que ocorre. Portanto, é essencial que um especialista experiente, capaz de reconhecer os sinais de Panchakarma, administrado de forma adequada ou indevida, supervisione a terapia. Felizmente, esses sinais foram meticulosamente registrados pelos antigos vaidyas. 
 
Como todos os procedimentos médicos, a Terapia Panchakarma sempre deve começar com uma consulta inicial a um Médico Ayurvédico qualificado, que pode determinar o prakriti do indivíduo (tipo constitucional), a natureza do problema de saúde (se houver) e o grau apropriado de intensidade do prescrito. Os tratamentos de Panchakarma foram criados para gerar a coerência das ondas cerebrais e diminuir a atividade metabólica. Eles permitem que o corpo e a mente caiam em um profundo nível de paz. Nesse estado de relaxamento, é possível limpar as toxinas dos tecidos, bem como liberar tensões emocionais profundas.

Tratamentos

Cinco Shodhans Básicos: Métodos de limpeza 
1) Vaman: vômito terapêutico ou vômito
2) Virechan: purgação
3) Basti: enema
4) Nasya: eliminação de toxinas pelo nariz
5) Raktalmoksha: desintoxicação do sangue

Vaman: Terapia Emese 
Quando há congestionamento nos pulmões causando repetidos ataques de bronquite, resfriados, tosse ou asma, o tratamento ayurvédico é o vômito terapêutico, para eliminar o kapha que causa o excesso de muco. Primeiro, depois do snehan e do swedan, são administrados de três a quatro copos de alcaçuz ou água salgada, e então o vômito é estimulado esfregando a língua, que aciona o centro do vômito. Muitas vezes isso também libera emoções reprimidas que foram mantidas nas áreas kapha dos pulmões e do estômago junto com o dosha acumulado. 
 
Alternativamente, pode-se tomar de dois a três copos de água salgada que também agravarão o kapha e depois esfregar a língua para induzir o vômito. Uma vez que o muco é liberado, o paciente se sentirá imediatamente aliviado. É provável que o congestionamento, chiado e falta de ar desapareçam e que os seios da face se tornem claros. O vômito terapêutico também é indicado na asma e resfriados crônicos, diabetes, congestão linfática, indigestão crônica e edema. Antes da administração do vaman, recomenda-se massagem com óleo na noite anterior ao dia do tratamento. Um a três dias antes do vaman, o paciente deve beber uma xícara do óleo recomendado, duas a três vezes ao dia, até que as fezes fiquem oleosas, ou até que ele se sinta nauseado. Também deve-se comer uma dieta kapha para agravar kapha no sistema. 
 
O vaman deve ser dado no início da manhã (hora kapha). A pessoa deve comer arroz basmati e iogurte com muito sal no início da manhã, o que agravará ainda mais o kapha no estômago. A aplicação de calor no peito e nas costas irá liquefazer o kapha. O paciente deve sentar-se calmamente em uma cadeira e beber a mistura de alcaçuz e mel, ou água salgada. Esta preparação de emese é medida e registrada antes de ser ingerida, de modo que, em um momento posterior, a quantidade de vômito da decocção possa ser determinada. 
 
Depois de beber a decocção, a pessoa deve sentir-se nauseada. Ele deve então esfregar a língua para induzir o vômito, continuando até que a bile saia no vômito. O grau de sucesso nesse tratamento é determinado por: a) o número de vômitos (8 é máximo, 6 médio, 4 mínimo) e b) a quantidade de vômito (1 quarto no máximo, 1 1/2 médio, 1 litro mínimo). Se o vaman for administrado adequadamente, o paciente deve sentir-se relaxado, com os pulmões desobstruídos. Deve ser capaz de respirar livremente, terá leveza no peito, pensamento claro, voz clara, um bom apetite e todos os sintomas de congestão desaparecerão. Depois de praticar vaman pela manhã, a pessoa deve jejuar até às 17 horas, depois comer kitchari com ghee. Ele ou ela pode diluir em água morna, com uma colher de chá de 12mel, cominho, coentro, gengibre, chá de erva-doce (porções iguais) e em seguida beber. 
 
Indicações para Vaman 
•Usado para todos os distúrbios do tipo kapha 
•Bom para dor de cabeça pitta, tontura e náusea 
•Auxilia a liberar emoções bloqueadas 
•Congestão respiratória 
•Bronquite 
•Frio crônico 
•Congestão nasal 
•Asma – kapha

 

Contra-indicações para Vaman
•Menores de 12 ou mais de 65 anos
•Menstruação 
•Período pré-menstrual (uma semana antes) 
•Gravidez 
•Emagrecimento 
•Pessoa delicada ou sensível, com muito medo, tristeza ou ansiedade 
•Hipoglicemia 
•Vata prakruti 
•Doenças de vata 
•Doenças cardíacas 
•Durante a estação do ano de vata 
•Febre aguda 
•Diarreia 
•Obesidade
Virechan: Terapia de Purgação 
Quando o excesso de bile é secretado e acumulado na vesícula biliar, fígado e intestino delgado, tende a resultar em erupções cutâneas, inflamação da pele, acne, ataques crônicos de febre, vômitos biliares, náuseas e icterícia. A literatura ayurvédica sugere nessas condições a administração de purgação terapêutica ou um laxante terapêutico. O Virechan é facilitado com folhas de senna, sementes de linho, casca de psílio ou triphala em uma combinação apropriada para o paciente. O chá da folha de senna é um laxante suave, mas em pessoas de constituição de vata, este chá pode criar dores, já que sua ação agrava o movimento peristáltico no intestino grosso. 

Um laxante eficaz para constituições de vata ou pitta é um copo de leite quente ao qual são adicionadas duas colheres de chá de ghee. Este laxante, tomado na hora de dormir, ajudará a aliviar o excesso de pitta, causando uma perturbação biliar no corpo. De fato, os purgantes podem curar completamente o problema do excesso de pitta. Quando os purgantes são usados, é importante verificar a dieta. O paciente não deve ingerir alimentos que agravarão o dosha predominante ou fazer com que os três doshas se tornem desequilibrados. Substâncias virechan: senna, ameixa seca, farelo, casca de linhaça, raiz de dente-de-leão, semente de psílio, leite de vaca, sal, óleo de mamona, passas, suco de manga, triphala. 

Indicações para virechan: 
•Erupção alérgica 
•Inflamação da pele 
•Acne, dermatite, eczema 
•Febre crônica 
•Ascites
•Vômito biliar 
•Icterícia 
•Distúrbio urinário 
•Aumento do baço 
•Vermes internos 
•Sensação de queimação nos olhos 
•Inflamação dos olhos 
•Conjuntivite 
•Gota 

Contra-indicações para virechan: 
•Agni baixo 
•Febre aguda 
•Diarreia 
•Constipação severa 
•Sangramento do reto ou cavidades pulmonares 
•Corpo estranho no estômago 
•Depois do enema 
•Emagrecimento ou fraqueza 
•Reto prolapsado 
•Alcoolismo 
•Desidratação 
•Colite ulcerativa
Basti: Terapia Enema 
O local predominante de Vata é o cólon. Basti envolve a introdução no reto de misturas de ervas de óleo de gergelim e certas preparações de ervas em meio líquido. Basti, é o tratamento mais eficaz para as desordens de vata. Alivia a constipação, distensão, febre crônica, frio, distúrbios sexuais, pedras nos rins, dor no coração, dor nas costas, ciática e outras dores nas articulações. Muitos outros distúrbios de vata, como artrite, reumatismo, gota, espasmos musculares e dores de cabeça também podem ser tratados com basti. 

Vata é um princípio muito ativo na patogênese. Se podemos controlar vata através do uso de basti, percorremos um longo caminho para encontrar a causa da grande maioria das doenças. Vata é o principal fator etiológico na manifestação de doenças. É a força motriz por trás da eliminação e retenção de fezes, urina, bile e outros excrementos. Vata está localizado principalmente no intestino grosso, mas o tecido ósseo (asthi dhatu) também é um local para vata. Daí a medicação administrada por via retal efeitos asthi dhatu. A membrana mucosa do cólon está relacionada com a cobertura externa dos ossos (periósteo), que os nutre. Portanto, qualquer medicação administrada por via retal vai para os tecidos mais profundos, como ossos, e corrige distúrbios de vata. 

Indicações gerais para basti: 
•Prisão de ventre 
•Dor lombar 
•Gota 
•Reumatismo 
•Ciática 
•Artrite 
•Distúrbios nervosos 
•Dor de cabeça 
•Emagrecimento
•Atrofia muscular 

Contra-indicações gerais para basti (incluem, mas não se limitam ao seguinte): A terapêutica com enema não deve ser utilizada se o paciente sofrer de diarreia, hemorragia do recto, indigestão crônica, falta de ar, diabetes, febre, emagrecimento, anemia grave, tuberculose pulmonar ou em idosos e crianças com menos de sete anos de idade.
Nasya: Administração nasal 
O nariz é a porta para o cérebro e também é a porta para a consciência. A administração nasal de medicação é chamada nasya. Um excesso de doshas corporais acumulados nas áreas da sinusite, garganta, nariz ou cabeça é eliminado por meio da abertura mais próxima possível, o nariz. O prana, força vital como energia nervosa, entra no corpo através da respiração recebida pelo nariz. O prana está no cérebro e mantém funções sensoriais e motoras. Também governa atividades mentais, memória, concentração e atividades intelectuais. 

O prana desequilibrado cria um funcionamento defeituoso de todas essas atividades e produz dores de cabeça, convulsões, perda de memória e percepção sensorial reduzida. Assim, a administração nasal, nasya, é indicada para distúrbios de prana, congestão nasal, enxaquecas, convulsões e certos problemas oculares e auditivos. A respiração também pode ser melhorada através de massagem nasal. Para este tratamento, o dedo mínimo é mergulhado em ghee e inserido no nariz. As paredes internas do nariz são massageadas lentamente, indo o mais profundamente possível. Este tratamento ajudará a abrir as emoções. Como a maioria das pessoas possuiu desvios nos septos nasais, um dos lados do nariz será mais fácil de penetrar e massagear do que o outro. 

O dedo não deve ser inserido à força. A massagem deve prosseguir por penetração lenta, o dedo movendo-se primeiro no sentido horário e no sentido antihorário. Por este meio, as emoções que estão bloqueadas no trato respiratório serão liberadas. Pode-se usar este tratamento a cada manhã e à noite. Assim, os padrões de respiração mudam à medida que as emoções são liberadas e a visão também melhora. Substâncias usadas em nasya: brahmi, gengibre, óleos ghee, decocções, cebola, alho, pimenta longa ou da Índia, pimenta do reino, pimenta curry, rosa, jasmim, flores mogra e henna. 

Indicações para Nasya: 
•Estresse 
•Desequilíbrios emocionais 
•Rigidez no pescoço e ombros 
•Secura do nariz 
•Congestão nasal 
•Rouquidão 
•Dor de cabeça e enxaqueca 
•Convulsões 

Contra-indicações para nasya: 
•Infecções sinusais 
•Gravidez 
•Menstruação 
•Depois do sexo, de tomar banho, comer ou beber álcool 
•Não deve ser usado em pacientes abaixo de 7 anos ou com mais de 80 anos de idade
Raktamoksha: Método Ayurvédico Tradicional para purificação e limpeza do sangue 
As toxinas presentes no trato gastrointestinal são absorvidas no sangue e circulam por todo o corpo. Esta condição é chamada toxemia, que é a causa básica de infecções repetidas, hipertensão e outras condições circulatórias. Isso inclui ataques repetidos de doenças da pele, como urticária, erupções cutâneas, herpes, eczema, acne, sarna, leucodermia, coceira crônica ou urticária. Em tais condições, juntamente com medicação interna, a eliminação das toxinas e purificação do sangue é necessária. 

Raktamoksha também é indicado para casos de aumento do fígado, baço e gota. Pitta é produzido a partir dos glóbulos vermelhos desintegrados no fígado. Então pitta e o sangue têm um relacionamento muito próximo. Um aumento de pitta pode entrar no sangue causando toxicidade e, portanto, muitos distúrbios relacionados a pitta. Extrair uma pequena quantidade de sangue de uma veia alivia a tensão criada pelas toxinas no sangue. A sangria também estimula o baço a produzir substâncias antitóxicas que ajudam a estimular o sistema imunológico. 

As toxinas são neutralizadas permitindo curas radicais em muitos distúrbios originados no sangue. A sangria é contraindicada em casos de anemia, edema, fraqueza extrema, diabetes e em crianças e idosos. Também é um procedimento ilegal nos Estados Unidos. Certas substâncias como açúcar, sal, iogurte, alimentos com sabor ácido e álcool são tóxicos para o sangue. Em certas doenças do sangue, essas substâncias devem ser evitadas para manter o sangue puro. Chá de raiz de bardana, sândalo, açafrão, guduchi, rosa e lótus são ervas que ajudam a purificar o sangue. Cúrcuma, suco de romã, neem, laranja, beterraba e passas também podem ser benéficos para doenças do sangue. 

Para o tratamento de raktamoksha que não seja a coleta de sangue, existem práticas de purificação de sangue envolvendo ervas, terapia gemológica ou terapia de água colorida. Para a terapia de purificação do sangue são usadas substâncias que sejam amargas e adstringentes e que tenham propriedades de afinamento do sangue. O chá de raiz de bardana é o melhor purificador de sangue. Joias e cristais benéficos são pérola, coral, ametista, quartzo rosa e jade. Na prática da terapia com água colorida, o vermelho deve ser usado em desordens de vata, azul para pitta e roxo para kapha. Para qualquer tratamento com raktamoksha ou tratamento alternativo relacionado, é benéfico abster-se de iogurte, sal, açúcar, álcool, maconha, alimentos ácidos e fermentados. 

Indicações para raktamoksha: 
•Urticária 
•Erupção cutânea 
•Acne 
•Eczema 
•Sarna 
•Leucoderma 
•Coceira crônica 
•Urticária 
•Fígado ou baço aumentados 
•Gota 

Contra-indicações para raktamoksha 
•Anemia 
•Edema 
•Fraqueza 
•Durante a gravidez 
•Durante a menstruação
Durante qualquer etapa da terapia panchakarma tradicional o Ayurveda recomenda certas orientações de estilo de vida e dieta.
É aconselhável descansar bastante durante a experiência do panchakarma e evitar exercícios extenuantes, atividade sexual, dormir tarde na madrugada, música alta, televisão e outras experiências estimulantes. Também é aconselhável ter um cuidado especial para se manter aquecido e longe do vento e observar os pensamentos e experiências, durante esse período. 

Recomenda-se uma mono-dieta de kitchari e ghee, bem como restrições essenciais a bebidas frias, alimentos frios, cafeína, açúcar branco, drogas recreativas ou álcool e produtos lácteos – essas substâncias que não devem ser retomadas algum tempo depois que o panchakarma termine. O motivo dessa dieta é que, durante o processo de limpeza, o fogo digestivo (agni) descansa. Além disso, à medida que as toxinas voltam ao trato gastrointestinal, o poder da digestão é retardado ainda mais. Kitchari fornecerá nutrição adequada, nutre todos os tecidos do corpo, é muito fácil de digerir, é excelente para o rejuvenescimento das células e ajuda no processo de desintoxicação e limpeza. 

Kitchari é uma mistura temperada de arroz e lentilha mung e é básica para o modo de vida ayurvédico. Arroz basmati e lentilha mung, ambos têm as qualidades de ser doce e refrescante. Juntos, eles criam um alimento equilibrado, que é uma excelente combinação de proteínas e benéfico para os três doshas. É importante frisar que o tratamento de panchakarma é uma intervenção muito especial, que requer orientação adequada de um médico ayurvédico altamente treinado e habilidoso. Isso não deve ser realizado apenas a partir das informações deste guia. 

Panchakarma é feito individualmente para cada pessoa com a sua constituição e desordem específica em mente, portanto, requer observação e supervisão. Também é feito para melhor aproveitar, embora nem sempre, no período de junção entre duas estações do ano, ajudando assim uma pessoa a preparar seu ambiente interno para a próxima estação.